Maria Dinorah, 95 anos de uma pioneira

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio

Professora por formação, contadora de histórias, ativista cultural, colunista de jornais e escritora, Maria Dinorah Luz do Prado foi uma das primeiras autoras a pensar a literatura infantil e infanto-juvenil no Rio Grande do Sul. Nascida em Porto Alegre, em 13 de maio de 1925, filha de Antônio Luz e Adylles Dinorah Britto Luz, aos três anos de idade mudou-se para Colônia de São Pedro, próximo a Torres. Em 1931, a família se estabeleceu na cidade de Torres, onde ela passou a juventude, voltando à região metropolitana apenas em 1938, agora na cidade de Gravataí. Casou-se com Luiz Bastos do Prado em 1944 e com ele teve quatro filhos.

Ficou viúva em 1964 e se estabeleceu em Porto Alegre em 1966. Alfabetizadora logo no início de sua vida profissional, graduou-se em Letras pela Faculdade Porto-Alegrense de Filosofia, Ciências e Letras em 1973. Trabalhou como professora de Português e alfabetizadora de 1965 até 1989, na Escola Diogo de Souza, em Porto Alegre, e na Escola Agrícola de Cachoeirinha. Mestre em Letras pela UFRGS em 1978, publicou mais de cem livros entre 1944 e o final dos anos 90, maior parte composta por poemas e literatura para crianças e adolescentes.

Sua produção está situada entre as publicações de literatura infantil de maior êxito junto ao público escolar e Dinorah foi a autora gaúcha mais produtiva e mais lida nesta área. Seu trabalho, rico em lirismo e delicadeza, foi reconhecido por nomes como Erico Verissimo, Carlos Nejar, Luiz Antonio de Assis Brasil, Mario Quintana, Antônio Hohlfeldt, Carlos Drummond de Andrade e Caio Fernando Abreu.

Foto: Giovani Urio

Ao longo dos 50 anos de carreira, colecionou prêmios e distinções, como o Jabuti em 1992 e o patronato da Feira do Livro de Porto Alegre em 1989 (primeira vez destinado a uma mulher), além do reconhecimento pela Fundação Nacional Livro Infantil e Juvenil, Feira do Livro de Bolonha, na Itália, e Instituto Jean Piaget, em Lisboa. Maria Dinorah faleceu em 15 de dezembro de 2007, em Porto Alegre, em virtude de complicações respiratórias. O espólio relativo à vida literária de Maria Dinorah foi doado à Biblioteca Central Irmão José Otão em 2009, e hoje se encontra no Delfos – Espaço de Documentação e Memória Cultural da PUCRS.

— A preocupação da Dinorah escritora era formar leitores, junto com a produção de sua literatura. Hoje nós temos muitos programas de leitura, de diferente natureza. Numa época em que isso não existia, Maria Dinorah reconheceu a importância do mediador de leitura — explica a escritora Gláucia de Souza, que completa: —  ela representou um segmento da literatura que por muitas pessoas é colocado de lado, tido como um gênero menor, quando na verdade não é. É um gênero que precisa de bons escritores, de boa literatura e que é muito democrático porque pode ser lido por adultos e também por crianças —  explica.

Lançado em 2015, o livro Maria Dinorah Luz do Prado: Que falta que ela nos faz reúne manuscritos, fotografias do acervo familiar, poemas inéditos e versos livres. A obra é resultado de pesquisa realizada pela Mestre e doutora em Teoria da Literatura pela PUCRS Patrícia Pitta, que trabalhou em parceria com os herdeiros dos escritos de Dinorah.

Entre os principais títulos de Dinorah, estão: Pinto verde e outras histórias (1973), O macaco preguiçoso e outras histórias (1975), O cata-vento (1980), Barco de sucata (1986), Panela no fogo, barriga vazia (1986), O ontem do amanhã (1988), Guardados de afeto (1990) e Um pai para Vinícius (1995).

Em 2020, a autora completaria 95 anos.

Instituto mantém vivo o legado e o espírito agregador da autora

Fundado em 2016, o IMADIN – Instituto Maria Dinorah – espaço de referência para o fomento da literatura é exatamente o que seu título sugere: um espaço de incentivo, apoio e suporte à arte literária.

Pensado como um ambiente propício à vivência literária, aberto e democrático, com atenção ao adulto e à criança, ao especialista e ao diletante, o IMADIN foi idealizado por Patrícia Pitta e pela filha caçula da escritora, Carmen Prado Nogueira, com a anuência, amparo e incentivo dos demais herdeiros do espólio da autora, Luiz Carlos Prado, Maria Luiza Prado Bresser Pereira e Luiz Alberto Prado.

Entre as ações do Instituto, estão a publicação de autores como Isadora Dutra e Tiago Severo Garcia, além da promoção de cursos e eventos que potencializam os nomes de novos autores e mantém viva a obra e a memória da autora.

— Seu apreço pela literatura, sua preocupação com a infância e consciência da gravidade do papel do educador confirmaram um norte que também era meu. Então, em 13 de maio de 2016, com a anuência e o apoio dos herdeiros escritora, o IMADIN surge renovando sua obra principalmente, seu legado, ao impulsionar a vivência literária em diferentes direções e em variados espaços — explica a escritora e pesquisadora Patrícia Pitta.

Maria Dinorah Luz do Prado: Que falta que ela nos faz
Patrícia Pitta, org.
168 p.
23 x 20,5 cm
978-85-69858-00-3
Arte em Livros

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