Escritor e editor da Dublinense, Rodrigo Rosp lança perfil em rede social para investigar o dinamismo da língua portuguesa na literatura contemporânea
Edição: Vitor Diel sobre texto da assessoria
Arte: Giovani Urio sobre reprodução
“Imagine o Macaulay Culkin percebendo que foi deixado pra trás pela família, botando as mãos no rosto e dizendo: ‘Esqueceram-se de mim’”.
“Talvez o maior símbolo da diferença da linguagem oral do brasileiro para a norma-padrão que a ignora seja esse: a proibição de iniciar uma frase com pronome oblíquo”.
“Quem está no alto precisa reforçar a cada momento a estrutura de poder dentro de uma empresa, e a linguagem é parte fundamental disso”.
Estes são trechos de algumas reflexões que o editor e escritor Rodrigo Rosp desenvolve em seu mais novo projeto, o perfil @alinguamuda no Instagram. Trabalhando há mais de 15 anos com edição e revisão, Rosp percebeu que é comum a tensão de autores que se propõem à escrita de um texto literário inovador e subversivo ao mesmo tempo em que evitam fugir de regras como regência verbal ou colocação pronominal, por exemplo. “Então, eu me perguntei por qual motivo o escritor se curva à gramática normativa em vez de abraçar as mudanças que acontecem naturalmente na língua falada”, explica o editor.
Essa inquietação se transformou em projeto de doutorado e Rosp resolveu, então, fazer uma pesquisa para mostrar que há mais “desvios” da norma-padrão na literatura contemporânea do que podemos imaginar. “É consenso entre os gramáticos que a literatura é matéria-prima para a gramática normativa, porém o mais comum é que sejam observados apenas os autores chamados de clássicos, em vez de verificar os textos de quem está escrevendo o século XXI”, comenta.
No perfil do Instagram, Rosp seleciona trechos de livros de alguns dos principais nomes da atualidade — como Andrea del Fuego, Aline Bei, Jeferson Tenório, José Falero, Paulo Scott, Eliane Alvez Cruz, Carla Madeira, entre tantos outros — que contêm algum tipo de divergência em relação ao que prega a dita norma culta.
O perfil é direcionado sobretudo para quem trabalha profissionalmente com o texto literário: escritores, tradutores, editores, preparadores, revisores, estudantes. “Mas pode ser interessante também para criadores de conteúdo digital, publicitários, jornalistas, professores, ou qualquer pessoa que se interesse pela relação entre norma e uso na língua portuguesa”, diz Rosp. Desde novembro de 2022, o perfil tem chamado a atenção pelas análises oriundas de um cotejo minucioso de trechos da literatura brasileira contemporânea que abrem portas de reflexões sobre o dinamismo da língua, e também pelo referencial teórico citado nas postagens, que passeiam por Marcos Bagno, Celso Cunha, Sérgio Rodrigues, entre outros. Nos comentários, o debate se amplia com a participação dos seguidores.
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