Em ‘Frio’, somos apresentados a uma narrativa lúgubre e magnética de um autor que não se constrange em desacomodar o leitor
Edição: Vitor Diel sobre texto da assessoria
Arte: Giovani Urio sobre reprodução
Já está disponível na Amazon por R$ 15 o romance Frio, de Tiago Magalhães Ribeiro. A obra apresenta Vila, um aspirante a escritor frustrado e inseguro, que sente desperdiçar a vida com banalidades enquanto sua escrita está bloqueada. Um dia, é informado do desaparecimento de seu pai, com quem tinha uma relação conflituosa na sombria Cidadezinha. De volta ao cenário de sua infância, ele quer saber o que realmente aconteceu com o pai, mas se vê perturbado por sonhos e lembranças que o afundam em um torpor paralisante. Vila acaba enredado em uma espiral de mistério e barbárie envolvendo o desaparecimento do pai, a figura suspeita e dominadora do tio, uma antiga namorada por quem talvez ainda tenha sentimentos, um ex-colega de escola envolvido em nebulosas tramas políticas e um velho professor, seu mentor no passado.
Frio revela um autor habilidoso ao criar uma narrativa atmosférica e sombria, com clara inspiração existencialista. A fantasmagoria das memórias, a presença da morte sob diversas representações, a dificuldade de comunicação entre os personagens e o passado sempre presente envolvem o romance em uma camada de significados que alimentam reflexões sobre os desejos não realizados e os relacionamentos de toda ordem.
Confira um trecho abaixo:
“Vilamarque? Sim. Vilamarque Martins? Sou eu. Vila, aqui é o Antônio. Que Antônio? Antônio, teu tio. Os dois se calam. Tu me perdoa por te incomodar aí na capital depois de tanto tempo, até me deu um trabalhão conseguir o teu número… Como vão as coisas, tudo bem contigo? Tudo bem. Na verdade quem conseguiu o teu número foi o Ramiro, tu lembra dele, né, o delegado aqui da Cidadezinha. Um zumbido de mosca começa a soar ao redor. Vila tenta localizar o inseto enquanto escuta a voz que segue falando no telefone. Pô, nunca mais tivemos notícias. Volta e meia a tua tia Pola ainda pergunta: como será que tá o Vila, hein, será que se casou, teve filhos? Vila não responde. Bom, quem devia estar te ligando é o Ramiro, mas eu pedi que ele me deixasse falar contigo primeiro. Essas coisas têm que ser conduzidas pela família. Vila caça a mosca com o olhar, achando-a e perdendo-a sucessivamente. Bom, como é que eu vou te falar uma coisa dessas. Pena que levou tanto tempo até a gente te achar. Aconteceu uma coisa aqui. Uma tragédia, pra falar a verdade. Vila não diz nada. Sua respiração umedece o bocal do telefone enquanto a última frase de Antônio se retorce em sua mente. O teu pai, ele desapareceu.”
Sobre o autor
Tiago Magalhães Ribeiro nasceu em Porto Alegre, em 1978. É servidor público e autor dos livros Do “você não pode” ao “você não quer”: uma história da prevenção às drogas na educação e Governo ético-político de usuários de maconha, ambos de Ciências Humanas, e do volume de crônicas Gremismo crônico: glória e fracasso de um torcedor de futebol. Frio é seu primeiro romance.

Frio
Tiago Magalhães Ribeiro
157 p.
R$ 15
Edição independente
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