Cartas para uma professora

Novo livro da escritora e psicanalista Taiasmin Ohnmacht tem ilustrações de Mitti Mendonça e será lançado no dia 29 de outubro na Livraria Taverna

Edição: Vitor Diel
Foto: Feijão/Divulgação

“Saímos da Nilza, eles saíram, seguimos pela Cedro, eles também, entramos na avenida, eles entraram. Quando me viram olhando pra trás mais uma vez, gritaram, ‘Ei, tu é filho do Chico Chaves, né?’. Sora, não sei se foi a escuridão do dia ou alguém falar o nome do meu pai no meio da rua assim do nada, mas peguei a mão da Tatá e demos no pé, até não aguentar mais.”

Cartas para uma professora é um livro que se passa em Porto Alegre pós-enchentes. Narrado em primeira pessoa por dois personagens, João Francisco e sua professora Jussara. A história dos dois adolescentes convocados por forças misteriosas vai se revelando ao leitor através de cartas que Jussara recebe de João Francisco e de um enigmático diálogo com Thalita, também sua aluna. Ambos saem da Restinga, local onde moram, e percorrem vários bairros da cidade, e o que a princípio parece ser uma busca pela figura paterna transforma-se em algo muito maior do que uma jornada pessoal: a descoberta da necessidade coletiva de reencantar uma cidade.

João Francisco, adolescente de 14 anos, morador do bairro Restinga é um adolescente que gosta de Slam poesia e de RAP, ele tem uma melhor amiga, Thalita e problemas com a professora de Português, Jussara.

A história é contada através de cartas que a professora recebe de João Francisco quando ele já não é mais seu aluno. Jussara não entende o porquê de essas cartas serem dirigidas a ela e busca esclarecimentos com Thalita. Através das cartas e da conversa com Thalita o leitor vai acompanhando os dois amigos adolescentes em uma jornada que a princípio é de João Francisco em busca de seu pai, mas que revela o lado mágico pouco conhecido de Porto Alegre. Ao longo dessa busca, tanto Thalita quanto João Francisco, assim como a professora Jussara, vão compreendendo que não se trata de uma jornada individual, mas da própria possibilidade de futuro para a cidade.

Os elementos mágicos são construídos a partir das lendas e crenças de cada bairro/zona da cidade, e também de referências culturais da religiosidade de matriz afro.

Taiasmin confessa que uma lacuna na literatura voltada para o público jovem negro que trabalhe com elementos afrodiaspóricos a motivou a escrever Cartas para uma professora, além da necessidade de abordar as histórias e lendas urbanas de regiões periféricas, algo que é pouco conhecido. “A cidade de Porto Alegre possui um imaginário riquíssimo e interessante e isso precisa chegar a todos os territórios. A cidade tem que conhecer a si mesma, se entender como múltipla e essa multiplicidade precisa ser expressa em voz alta para si mesma.” O livro também se conecta com o afroturismo, “uma utopia do que se sonha para as comunidades. Sigo orientada pela frase do Ailton Krenak que ‘O futuro é ancestral’. É fundamental jogar luz sobre outras formas de viver e sonhar a cidade”, observa a autora.

O lançamento de Cartas para uma professora, de Taiasmin Ohnmacht e ilustrações de Mitti Mendonça, será no dia 29 de outubro, às 18 horas na Livraria Taverna (Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico de Porto Alegre), com bate-papo com Taiasmin e Mitti e mediação da escritora e professora Ana Dos Santos. Logo após, acontece a sessão autógrafos.

Sobre a autora
Taiasmin Ohnmacht é escritora e psicanalista. Publicou os livros Ela Conta Ele Canta (Cidadela, 2016), Visite o Decorado (Figura de Linguagem, 2019). Seu romance Vozes de Retratos Íntimos (Taverna, 2021) foi vencedor dos prêmios AGES e Açorianos na categoria Narrativa Longa e finalista nos prêmios Jabuti, São Paulo de Literatura e Academia Rio-grandense de Letras. Em 2023, lançou sua narrativa longa Uma Chance de Continuarmos Assim (Diadorim); em 2024, a obra de poemas Quimeras Feito Incensos (Invencionática/Bestiário) e, em 2025, o livro de psicanálise Também Existem os Tambores (Discurso).

Sobre a ilustradora
Mitti Mendonça é artista têxtil, ilustradora, produtora cultural e arte-educadora. Sua produção na arte contemporânea investiga as historiografias negras em diáspora, as memórias afetivas a partir dos álbuns de família e os movimentos sociais e políticos negros. Elabora obras que refletem o afeto como lugar político, as práticas de resistência e a construção de identidades, a partir das técnicas de bordado, desenho, pintura e ilustração digital. Participa do circuito de feiras e exposições no Brasil e no exterior, em mostras como Dignidade e Luta: Laudelina Campos de Mello (Instituto Moreira Salles, 2025/2026) e Casa Brasil de Lisboa (Portugal, 2018).

Cartas para uma professora
Taiasmin Ohnmacht; ils. Mitti Mendonça
168 p.
R$ 65
Libretos

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