De esperanças e dores

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre foto de divulgação

Em Quarto de Despejo: Diário de uma favelada, Carolina Maria de Jesus atribui à fome a cor amarela. Autora competente e habilidosa que é, cria uma referência simbólica e aprofunda o significado de uma das maiores dores submetidas a qualquer pessoa. Em A Cor da Esperança, lançamento do jornalista Renato Dornelles, vê-se, da mesma forma, uma busca por ressignificar a vida dos sujeitos desprivilegiados da cidade grande.

Primeiro romance do mesmo autor de Falange Gaúcha, que retratou o nascimento do crime organizado no Rio Grande do Sul, A Cor da Esperança presta uma homenagem às mulheres negras e, à tradição de Carolina, desenha o perfil das comunidades que a cidade insiste em invisibilizar e segregar. Percorrendo lugares antigos de Porto Alegre, como a Colônia Africana e a Ilhota, onde nasceram Lupicínio Rodrigues e Tesourinha, a trama expõe os reflexos sociais do tráfico de drogas em um dos mais conhecidos bairros da cidade, a Restinga.

Reprodução/Gilmar Fraga

Em uma comunidade da periferia de Porto Alegre, as pessoas compartilham alegrias, tristezas, dificuldades e soluções, fazendo da região em que vivem um espaço de produção de sociabilidades e de culturas. A rotina é radicalmente modificada, e os problemas, multiplicados, quando um jovem, ex-morador, retorna ao local, trazendo junto o tráfico de drogas. Mortes e tiroteios passam a fazer parte do cotidiano, deixando a comunidade acuada e sob fogo cruzado. No caminho oposto, surge a figura de uma antiga moradora, Dona Esperança, disposta a tudo para proteger sua família e a vizinhança dos riscos causados pelos invasores. Inclusive, a bater de frente com o líder do tráfico.

Reprodução/Gilmar Fraga

A Cor da Esperança é o primeiro título da Falange Produções, editora criada por Renato Dornelles e pela também jornalista e documentarista Tatiana Sager. A obra tem edição e revisão de Daniel Feix, capa e ilustrações de Gilmar Fraga, texto de apresentação de Luiz Augusto Fischer, produção executiva de Tatiana Sager e projeto gráfico e diagramação de Paola Rodrigues.

Sobre o autor
Renato Dornelles é jornalista, escritor e inaugura com A Cor da Esperança sua trajetória no campo da ficção. Em 33 anos de carreira, conquistou sete prêmios ARI, concedidos pela Associação Rio Grandense de Imprensa, e três prêmios de Direitos Humanos (MJDH/RS). O conjunto de reportagens que deram origem ao seu primeiro livro-reportagem Falange Gaúcha (2008), sobre a história e o desenvolvimento dos primeiros grupos criminosos organizados do Rio Grande do Sul, recebeu um dos prêmios ARI de Jornalismo, a distinção máxima da imprensa gaúcha. Também foi roteirista do curta-metragem O Poder Entre as Grades (2014) e do filme Central – O poder das facções no maior presídio do Brasil (2017), terceiro documentário mais visto do Brasil em 2017, do qual também assina a direção.

A Cor da Esperança
Renato Dornelles, Gilmar Fraga ils.
Romance
R$ 44
Falange Produções

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