Os trágicos delírios cotidianos de Fernando Jaepelt

“engulo estrelas fervendo / passo dias vomitando luzes

Edição: Vitor Diel sobre texto da assessoria
Arte: Giovani Urio sobre divulgação

O primeiro livro de Fernando Jaepelt, Selvageríntimo, lançado pela Isto Edições — casa editorial sediada no Rio Grande do Sul e dedicada à poesia — traz já em seu título esse estranhamento que vai aparecer em seus textos, selvagens e íntimos. São 60 poemas, divididos em seis partes — ou seis diferentes ângulos do abismo, como define o autor. É um livro sobre palavras que se unem e ficam mais estranhas, assim como as pessoas quando se unem.

“Trata-se de um roteiro poético sobre a angústia (entendida como um profundo vazio existencial) e o amor (tanto o amor romântico entre duas pessoas, quanto o amor na amizade, o amor na solidão e pela própria poesia)”, diz Fernando.

O poeta e historiador Bruno Gaudêncio escreve no texto de apresentação: “Selvageríntimo é um desses livros iluminados que percorrem os trágicos delírios do cotidiano coletivo. O leitor de cara capta uma dicção potente e vibrante amparada em uma composição sintética, feita de cortes precisos e fragmentários. Fernando Jaepelt conseguiu chegar em seu livro de estreia a essa unidade necessária, compondo parte a parte, no trato nu, excelentes poemas que em conjunto expressam ao mesmo tempo a salvação, o deslumbre, o abandono e o êxtase.“ A ilustração de capa e contracapa é do artista catarinense Nestor Jr.

Confira abaixo dois poemas de Selvageríntimo:

into the blue
quando a noite azuluar
me arrasto azulento azulíntimo
peito aberto por raios de loucura
a azulamber a dor azuletal
percorro trágicos delírios
desmaio sono adentro azuletárgico
pálpebra tombada como escombro
acordo azulonge azulobo faminto
saliverbo rasgado entre os dentes
não mais azulatentes
azulóperas cantantes
azulove extremo azulast days of summer
azulike I wanna die.

transtorno poético alimentar

migalhas de pão em pânico
nuvens de gás interestelar
(os outros doentes choram
temendo as próprias iluminuras)
restos de matéria escura
boiando numa taça de vinho
(morrem os outros doentes
os que não amam buracos negros)
engulo estrelas fervendo
passo dias vomitando luzes.

Sobre o autor
Fernando Jaepelt nasceu em Recife mas cresceu em Santa Catarina, onde mora. É psicólogo na região de Blumenau e publica no Instagram em seu perfil @caionopoema.

Selvageríntimo
Fernando Jaepelt
98 p.
R$ 36
Isto Edições
Comprar aqui (link externo)

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