Escrita em 1983, obra sobre a escritora e precursora feminista será traduzida pelo pesquisador espanhol Jésus Pérez García
Edição: Vitor Diel sobre texto da assessoria
Arte: Giovani Urio sobre foto de acervo pessoal
Nascida em 1919 na cidade de Rio Grande, Carmen da Silva é autora de uma obra e protagonista de uma vida que continuam a inspirar e que merecem ser celebradas pelas gerações atuais. Jornalista, escritora e ativista feminista, a gaúcha foi pioneira ao pavimentar um caminho que ainda hoje é percorrido por outras mulheres na imprensa e na literatura brasileiras. Colunista da revista Claudia, autora de Sangue sem dono, de 1964, e O homem e a mulher no mundo moderno, em 1968, entre outros livros, Carmen viveu em Buenos Aires e no Rio de Janeiro e teve obras publicadas em espanhol. Nome frequente nos círculos culturais, a autora levava para as passeatas e reuniões feministas a visão crítica que nutria em sua escrita. Falecida em 1985, Carmen teve sua autobiografia, intitulada Histórias híbridas de uma senhora de respeito, publicada em 1984 — mesmo ano em que participa da passeata de 8 de março fantasiada de Estátua da Liberdade. Histórias híbridas de uma senhora de respeito apresenta resumidamente e em ordem cronológica vários excertos da vida de Carmen da Silva. Publicada pela editora Brasiliense, a obra não foi reeditada e, considerada rara, só é encontrada em sebos. E agora, o texto ganhará tradução em espanhol pelo pesquisador Jésus Pérez García, que concluiu o doutorado em Letras na Universidade Federal do Rio Grande (FURG) no ano de 2021.
García contribuiu com a tradução de artigos jornalísticos de Carmen escritos em espanhol e publicados em jornais argentinos para o site da escritora e de um conto, disponível para leitura no portal, que rendeu um artigo acadêmico publicado no livro Para ler Carmen da Silva. A possibilidade de tradução da autobiografia da escritora e ativista rio-grandina surgiu com um edital para o financiamento de produções literárias, traduções e ilustração lançado pelo Governo da Espanha.

Segundo o pesquisador, a tradução será concluída até o final de 2022. Antes disso, planeja gravar um pequeno documentário em Rio Grande sobre a escritora. “Carmen é um patrimônio cultural de Rio Grande, como são muitos prédios e espaços. Tenho muito claro que a cidade poderia explorar economicamente seu patrimônio histórico e cultural e gostaria de contribuir com algo nessa direção”, conclui.
Saiba mais sobre a vida e a obra de Carmen da Silva no portal carmendasilva.com.br.
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