Livro apresenta pesquisa abrangente sobre a história e o universo dos heróis gays
Edição: Vitor Diel com texto da assessoria
Arte: Giovani Urio sobre reprodução
Em uma extensa pesquisa que abrange mais de 200 personagens dos quadrinhos e de outras mídias, o doutor em comunicação e colunista deste site, Guilherme Smee, produziu o livro SuperGays, que foi lançado pela Marsupial Editora. Em suas 140 páginas, a publicação traz verbetes sobre todos os super-heróis gays do mundo dos quadrinhos que o pesquisador conseguiu encontrar. Além disso, um texto complementar traz outros super-heróis de mídias como o cinema, os games, as séries de televisão, personalidades que se vestem como super-heróis gays e muito mais.
Um dos personagens mais conhecidos dos brasileiros dentro desta área foi o Capitão Gay, personagem do comediante Jô Soares e que foi muito popular na década de 1980, conhecido como “defensor das minorias, contra as tiranias” e que tinha como ajudante Carlos Suely — 20% Carlos e 80% Sueli — interpretado por Eliezer Motta.
No Brasil, também os super-heróis gays ficaram conhecidos por sua capacidade de irritar e mobilizar a extrema direita, como foi o caso da censura do beijo dos super-heróis gays Wicanno e Hulkling, da Marvel, pelo então prefeito, o pastor Marcelo Crivella, durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro em 2019.
Mas o livro SuperGays não é apenas uma enciclopédia de super-heróis que amam outros super-heróis, ele também traz análises de teor acadêmico envolvendo super-heroísmo e homossexualidade. Um dos textos mais interessantes para o público em geral é aquele que discute por que Batman e Robin têm fama de gays. O autor também escreve sobre a Marvel dos anos 1990 e a AIDS nas páginas de seus quadrinhos, fator que acarretou na revelação de que o super-herói Estrela Polar era homossexual. Ainda falando sobre o Brasil, Smee discute a homofobia recreativa presente na mídia do nosso país, em que os personagens gays mais famosos da televisão brasileira servem como alívio cômico para pessoas heterossexuais.
Para incrementar o estudo desenvolvido em SuperGays, Smee também desenvolveu uma linha do tempo dos super-heróis gays e um estudo sobre os números relativos aos personagens presentes no livro, trazendo dados sobre sua nacionalidade, sua etnia, os tipos de corpos, as equipes e editoras que mais têm essa representação, entre outros.
Além de doutor em Ciências da Comunicação, Guilherme Smee também produz quadrinhos, sendo um dos criadores, com Chris Gonzatti e DanVerdura, do super-herói LGBTQIA+ brasileiro Boy Magya. Organizou este ano, também pela Marsupial Editora, o livro Olhares sobre os X-Men, em que, junto a outros aficionados pela equipe de heróis da Marvel, esmiúça o universo desses personagens. Smee também faz parte da diretoria da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS) e é curador e fundador da Gibiteca da Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul.

SuperGays: Mais de 180 Super-Heróis Fora do Armário
Guilherme Smee
140 p.
Marsupial Editora
R$ 60
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