Livro infantojuvenil joga luzes sobre uma forma sutil de violência

Nome conhecido dos bastidores, jornalista Flávia Cunha prepara sua estreia na literatura com narrativa ilustrada sobre abuso emocional

Edição: Vitor Diel
Foto: Ana Esteves

Ariane é uma menina tímida e sensível que enfrenta, sozinha, a complexidade do abuso emocional, uma forma sutil de violência. Este é o tema central do livro infantojuvenil Tem um monstro na minha casa, estreia literária da jornalista e coordenadora editorial Flávia Travassos Cunha. O projeto, em etapa final de edição, está com financiamento coletivo aberto até 16 de agosto na plataforma Apoia-se. O lançamento do livro está previsto para novembro de 2025, em Porto Alegre.

“Abordar o abuso emocional foi um desafio que me propus por ser um desses assuntos silenciados na nossa sociedade. Crianças e jovens que enfrentam esse tipo de violência psicológica muitas vezes nem sabem que estão passando por uma situação dessas”, explica a autora.

Coordenadora editorial com experiência no lançamento de livros de autores independentes de Porto Alegre, Flávia buscou em uma escritora o amparo para esta troca de papéis na área literária. “Apesar de estar acostumada com o processo de edição de livros, foi completamente diferente ser a responsável por escrever esta história. A Raquel Grabauska, atriz, diretora de teatro e autora de diversos livros infantis, foi fundamental para este processo”, destaca.

O resultado é um enredo que entrelaça elementos de realismo fantástico, mitologia grega e metalinguagem com outras obras literárias do universo infantojuvenil para contar uma história que se passa em Porto Alegre, “um lugar onde todo mundo fala ‘tu’ no lugar de ‘você’ e conjuga errado os verbos quando faz isso”, conforme a protagonista explica a seus leitores no primeiro capítulo do livro.

Abuso emocional

Por abordar um tema complexo e sensível, capaz de despertar gatilhos emocionais nos jovens leitores, o livro traz uma orientação inicial a respeito do assunto e também um posfácio escrito pela psicóloga Tanise Gralha Mateus. No texto, a especialista interage com a protagonista e explica, de forma didática e acessível, o que ela enfrentou dentro do enredo. “Diferente do bullying, que normalmente acontece no ambiente escolar e entre os alunos, o abuso emocional normalmente ocorre no núcleo familiar e tem como principal característica a postura de poder e controle, com o objetivo de humilhar a vítima”, ressalta Tanise.

Com um enredo que incentiva o protagonismo feminino, a equipe do projeto é formada exclusivamente por mulheres. Além da leitura crítica de Raquel Grabauska, Tem um monstro na minha casa conta com ilustrações de Daiana Christ, projeto gráfico e diagramação de Alana Anillo e revisão de Daniela Boeira Espíndola.

Sobre a autora
Jornalista, produtora cultural e mestre em Literatura pela UFRGS, Flávia Travassos Cunha atua na área editorial de Porto Alegre desde 2015. Já participou da edição e lançamento de mais de 30 livros, a maior parte de autores independentes. Tem um monstro na minha casa será sua estreia literária.

Tem um monstro na minha casa
Flávia Travassos Cunha; ils. Daiana Christ
92 p.
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