Projeto Itinerários Formativos de Literatura Periférica oferece oficina de escrita em escola de Ensino Fundamental do bairro Guajuviras
Edição: Vitor Diel
Arte: Reprodução
A Escola de Ensino Fundamental Guajuviras, no bairro Guajuviras, em Canoas, recebe no primeiro semestre letivo o projeto Itinerários Formativos de Literatura Periférica, oficina de escrita criativa voltada a estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental. A atividade será ministrada por Henrique Veber, poeta, escritor, mediador de leitura e editor executivo do coletivo e editora Entreverbo.
Contemplado no Edital 17/2025 SEDAC – Artista na Escola, o projeto conta com financiamento do Estado do Rio Grande do Sul e apoio do Programa RS Seguro Comunidade. Ao todo, serão 200 horas-aula distribuídas entre três turmas, atendendo cerca de 80 estudantes.
Partindo da literatura periférica como ponto de partida, não como limite estético, a oficina propõe discutir identidade, território e vivências por meio da escrita. A proposta dialoga com a cultura do slam, o rap e autores que colocam a periferia no centro da produção literária.
O referencial teórico privilegia a oralidade, abordando tanto autores periféricos contemporâneos quanto tradições orais africanas e dos povos originários do Brasil, em consonância com a Lei 11.645/2008, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Indígena no currículo escolar.
Entre os autores trabalhados estão Conceição Evaristo — cuja noção de escrevivência fundamenta parte da proposta —, Sérgio Vaz, Ferréz, Renan Inquérito, Racionais MC’s, Júlio Emílio Braz, Ailton Krenak e Olívio Jekupé, além de poetas slammers do Rio Grande do Sul reunidos nas coletâneas Slam Entreverbo.
A iniciativa busca estimular o pensamento crítico, a imaginação e a autoria, promovendo práticas de leitura e escrita que ampliem o repertório estético dos estudantes. Ao valorizar narrativas periféricas, o projeto fortalece o reconhecimento dos alunos como protagonistas de suas próprias histórias e produtores de cultura.
Como legado, será produzido um zine impresso com textos dos participantes, ampliando o alcance da ação e reforçando a literatura como prática coletiva e instrumento de transformação social.
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