Os versos líquidos de Juliana Meira e Caio Riter

Dois escritores de geração e trajetória distintas lançam seus livros de poemas pela Editora Artes & Ecos no dia 1º de junho, das 15h às 18h, no Instituto Goethe (Rua 24 de outubro, 112, Porto Alegre/RS). Juliana Meira autografa água dura e Caio Riter, Os saberes da água.

Sobre água dura, Ricardo Silvestrin escreve: “A poesia de Juliana Meira, neste seu novo livro, mostra que há muitos vasos comunicantes entre o dentro e o fora. De repente, um som qualquer, inclusive de coisas que nem têm som, mas que a poeta chama de sonoras, ecoam num ponto distante da alma, da memória, e tecem laços entre o passado e o presente, entre o aqui, dentro do apartamento, e a avenida, entre um avô e sua neta, entre quem segue adiante e quem já se foi. Mas tudo é tecido na linguagem — que é som sutil e silêncio que fala nessa poesia de Juliana — , tramando mais ligações subterrâneas entre as ideias, as sensações, os bichos, as plantas, os objetos e as palavras”.

amanhece tua pergunta então te digo
como um anjo tenho dormido porque anjos não existem


tenho dormido tão bem sem planos


como o espinho que escorrega da araucária mais tépida
e viaja no sono da fera que viaja junto àquela velha sábia
[aresta

tenho dormido como quem em sonho está caindo caindo
mas não desperta

Mais conhecido por suas narrativas infanto-juvenis, Caio Riter tem sua estreia na poesia descrita assim por Celso Gutfreind: “Não são versos de prosador, desses que quebram ao léu no meio da linha como denunciou João Cabral, com quem Caio se entende, desentendendo-se. São versos que enfrentam a dureza da pedra de Drummond a que alude até obter o artesanato poético, banhado da prosódia em alto patamar (verbo, hera, erro, eco) e de imagens carnais (a poesia como dissecação, o corte no ventre da água). Versos de quem conhece a palavra a que homenageia em muitos textos”.

Canino


Meu cão é feito de quereres,
seu canto abre a fenda da alvorada;
meu cão é feito sentimento,
seus dedos desenham pão e água;
meu cão é feito roçar de alma,
sua palavra inaugura poesia.


Meu cão se faz no próprio fazer-se,
não tem pelos, não tem penas, apenas plumas.

Meu cão desentende Cabral.

Juliana Meira nasceu em Carazinho/RS em 1981 e vive em Porto Alegre. Publicou poema dilema (Porto Poesia, 2009), poemas para o projeto Instante Estante de incentivo à leitura (Castelinho Edições, 2012), poema pássaro (Patuá, 2015) e na língua da manhã silêncio e sal (Modelo de Nuvem/Belas Letras, 2017), livro vencedor do prêmio Minuano de Literatura na categoria poesia 2018. Integra a coletânea Blasfêmeas: mulheres de palavra (Casa Verde, 2016) e a coletânea Treze mulheres e um verão (Feito no Ato/Psappha, 2018).

Caio Riter é professor, mestre e doutor em Literatura Brasileira, membro da Academia Rio-grandense de Letras. Autor de vários livros, com os quais recebeu algumas distinções literárias, como os prêmios Açorianos, Barco a Vapor, AGEs, Orígenes Lessa e Selo Altamente Recomendável, entre outros. Já publicou livros de poesia para a infância e para a adolescência. Pela primeira vez, envereda pelos saberes da poética para a maturidade.

água dura
Juliana Meira
74 pp.
14 cm X 21 cm
978-85-93459-18-4
R$ 35,00
Artes & Ecos

Os saberes da água
Caio Riter
62 pp.
14 cm X 21 cm
978-85-93459-19-1
R$ 35,00
Artes & Ecos

Literatura RS

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