Frente Parlamentar do Livro reúne esforços em lançamento na Feira do Livro de Porto Alegre

Texto e edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre fotos de Adrise Ferreira

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A chuvosa tarde de segunda-feira, 4 de novembro, foi de mobilização política na 65ª Feira do Livro de Porto Alegre. O lançamento da Frente Parlamentar Mista do Livro, da Leitura e da Escrita reuniu representantes de entidades do setor do livro e da biblioteconomia, além de escritores, editores, jornalistas, deputados, vereadores, secretários e da patrona Marô Barbieri no Teatro Carlos Urbim, na Praça da Alfândega, Centro Histórico de Porto Alegre. A iniciativa é capitaneada pela deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e pelo senador Jean Paul Prates (PT-RJ), e conta com o apoio de 240 parlamentares do Congresso Nacional. Segundo a deputada, que comandou o encontro, “a Frente nasce com muito apoio e enormes desafios”, entre os quais, o aumento nos riscos para a execução dos planos e leis estaduais e federais voltadas à leitura, sucessivas tentativas recentes de restrição da liberdade democrática e surgimento de episódios de censura à cultura, como o ocorrido em setembro, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

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Após o lançamento oficial em Brasília, a Feira do Livro de Porto Alegre foi escolhida como o palco para a primeira ação da Frente, em função, segundo a deputada, do valor histórico e do potencial democrático do evento ao mobilizar profissionais do livro e da leitura no Rio Grande do Sul. Em sua fala de abertura, Melchionna lembrou a urgência de uma capilarização das ações da Frente, já que “metade das escolas do Rio Grande do Sul não tem bibliotecas” e concursos para a área não são realizados pelo Estado desde 1992. A deputada, que é bibliotecária por formação, lamentou a ausência da Secretaria Estadual de Educação no encontro.

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Segundo a Secretária Estadual da Cultura, Beatriz Araújo, o governo já trabalha com uma perspectiva de que até o fim do mandato do tucano Eduardo Leite esteja estabelecido um desenvolvimento consistente nas políticas públicas estaduais para o setor.

A dificuldade de diálogo com o poder municipal de Porto Alegre foi lembrada pelo presidente da Associação Gaúcha de Escritores – AGES, o poeta e músico Alexandre Britto. Segundo o autor, os integrantes do Conselho Municipal do Livro e da Leitura ainda não assumiram suas funções.

A representante do Conselho Regional de Biblioteconomia – CRB10, Luciana Kramer, denunciou o esvaziamento das bibliotecas em sua função-base: para as cerca de 1.500 escolas no Rio Grande do Sul, existem apenas 20 bibliotecários, uma negligência reforçada recentemente, quando o o governo do Estado solicitou que os professores locados em bibliotecas escolares assumissem salas de aulas.”Nós queremos professores em salas de aula, mas também queremos bibliotecários em bibliotecas”, reivindicou Melchionna.

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O evento contou ainda com espaço de fala para representantes do mercado, como a Câmara Brasileira do Livro e a Câmara Rio-Grandense do Livro, cujo presidente, o livreiro Isatir Bottin Filho, lembrou a existência de 10 mil empresas no Rio Grande do Sul dedicadas à cadeia do livro, em alguma etapa da produção – número que contrasta com a quantidade de negócios associados à CRL: apenas 140 empresas.

A escritora, editora e colunista de Literatura RS Fernanda Bastos destacou que o mercado de livros no Brasil é, historicamente, muito dependente das compras governamentais, além das particularidades da população negra na produção e consumo de literatura.

A professora, mediadora de leitura e também colunista de Literatura RS Ana Paula Cecato assumiu o microfone para compartilhar suas impressões sobre a realidade da formação de leitores na base, a escola pública. A profissional ressaltou o desamparo dos trabalhadores da Educação, além de levantar a provocação de que a formação do leitor literário deveria estar no centro das discussões dos eventos de literatura.

A deputada estadual Sofia Cavedon (PT-RS) lamentou os recentes fechamentos de bibliotecas escolares e o deputado federal Henrique Fontana (PT-RS) clamou por “um reencontro da política com a sociedade a fim de levantar movimentos reivindicatórios”, como este que a Frente Parlamentar Mista do Livro, Leitura e Escrita se propõe a fazer.

Literatura RS

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