Patrícia Berton analisa as possibilidades femininas em obras transparentes e necessárias

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre foto de divulgação

As condições materiais para o exercício seguro da criação literária são motivo de angústia frequente para escritores em todo o canto, ao longo da história – e, em função do espaço reservado às mulheres na sociedade, a autoria feminina guarda particularidades ainda mais limitantes. Esta é uma das reflexões às quais a escritora Patrícia Berton se dedica em seus dois livros Sozinha é o dobro e Juro que não vou gritar. As obras chegam pela Alameda Editorial e serão autografadas na segunda-feira, 16 de dezembro, às 18h, na PocketStore Livraria (Rua Félix da Cunha, 1167 – Moinhos de Vento – Porto Alegre/RS).

O livro Sozinha é o dobro reúne histórias do cotidiano, sórdido com toda sua pequenez, suas demandas inatingíveis, suas raivas passageiras, as iluminações geniais que caem no vazio, as crianças, as interrupções, viagens, desemprego, medo e o tédio.

Sobre a obra, Joana Monteleone escreve: “Patrícia Berton não tem 500 libras para apenas escrever ficção, e também não está desesperada e com fome, como Carolina de Jesus. Ela escreve naquele lugar mediano, dos dias cinzas, do tédio, da aparente banalidade. No livro fica claro que os quartos ideais ficaram para os autores em torres de marfim, lidos pelos críticos, e que aprecem em revistas literárias bem comportadas. O resto de nós chafurda na lama e não consegue parar nunca de ouvir as próprias entranhas”.

Por outro lado, Juro que não vou gritar reúne versos e shortcuts – registros feitos como num diário íntimo – que revelam uma narradora oscilando entre afetos e vazios, “entre o drama, a nostalgia e o humor ainda que contido, mais irônico que desbragado. Aqui a filha se torna mãe e continua a carregar a adolescente que foi, namorados e maridos se confundem, e mesmo que as paisagens se modifiquem, entre o sul, a metrópole e o estrangeiro, o lugar interior permanece, a angústia persiste no passar da década”, ressalta a jornalista Josélia Aguiar.

Sobre a autora
Patrícia Berton nasceu em Porto Alegre/RS em 1971. Formou-se em jornalismo e mudou-se para São Paulo em 1995, onde trabalhou em inúmeras redações – Folha de S. Paulo, Gazeta Mercantil, SBT, UOL, Rede Globo, Editora Abril, Editora Globo. Escreve poemas desde sempre, mas até então todos estavam bem guardados no fundo do armário e só tinham sido lidos por uma pessoa.

Sozinha é o dobro
Patrícia Berton
Ficção
290 p.
14 x 21cm
978-85-7939-606-9
R$ 40
Alameda Editorial

Juro que não vou gritar
Patrícia Berton
Poemas
132 p.
14x21cm
978-85-7939-607-6
R$ 32
Alameda Editorial

Apoie Literatura RS

Ao apoiar mensalmente Literatura RS, você tem acesso a recompensas exclusivas e contribui com a cadeia produtiva do livro no Rio Grande do Sul.

Literatura RS

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s