Ana Paula Cecato: #somosAdote

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio

Na última coluna, apontei algumas proposições para pensarmos em políticas de leitura com vistas à formação de leitores, sobretudo na escola pública. Em Porto Alegre, uma das iniciativas mais longevas e consistentes é o Programa de Leitura Adote um Escritor. Gestado em 2002, a partir de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação (SMED) com a Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL), representadas, na ocasião, pela professora Angela Rolla e pela jornalista e produtora cultural Sônia Zanchetta, o Adote consolidou-se como um programa que irradia práticas leitoras nas comunidades escolares da rede municipal da Capital e que evidenciam a experiência com o livro e a literatura.

Nos últimos anos, assim como outras iniciativas do livro, da leitura e da cultura, o Adote também foi descaracterizado, sobretudo com cortes orçamentários que garantiam a formação leitora de servidores da SMED, como no projeto Biblioteca do Professor, bem como dos alunos e das alunas da rede municipal, com a diminuição de recursos para visitação de turmas de estudantes à Feira do Livro de Porto Alegre, para atualização dos acervos das bibliotecas escolares e para compra de livros do autor adotado. A última notícia é de que a sua 18ª edição fora anunciada há poucas semanas, depois de meses de silêncio da SMED, que, desde 2017, rompeu a parceria com a CRL.

Contudo, o programa resiste devido ao incansável trabalho dos mediadores de leitura, constituído, nas escolas municipais de Porto Alegre, pelos professores, pelos funcionários, pelos bibliotecários e monitores da Educação Infantil, que procuram envolver a comunidade escolar com trabalhos abrangentes e qualificados, e também devido à pressão pública de entidades como a Associação Gaúcha de Escritores (AGEs) e de parlamentares engajados com a área do livro e leitura.

Em uma capital brasileira que figura em uma posição mediana em relação aos índices de leitura – Porto Alegre está em 14º lugar na pesquisa Retratos da Leitura – , é preciso fomentar o debate público. Em tempos pandêmicos, fóruns virtuais são canais que se fortalecem, e é por isso que recomendo fortemente a leitura e a assinatura do manifesto do Fórum das Bibliotecas Escolares da PMPA, que conta um pouco da trajetória do Adote um Escritor e do cenário atual das políticas de leitura da rede municipal de Porto Alegre.

É preciso ouvir quem está na ponta, dia a dia formando leitores e leitoras.

Link do manifesto (link externo).

Ana Paula Cecato é graduada e mestra em Letras e professora de Letras – Português/Inglês do IFRS – Campus Rolante. Fez parte da equipe da Área Infantil e Juvenil da Feira do Livro de Porto Alegre, trabalhando na curadoria da programação, nos programas de incentivo à leitura e na formação de mediadores de leitura. Coordena o curso de extensão “Tessituras: formação de mediadores para programas de leitura”. Foi jurada do Prêmio Jabuti em 2019 na categoria Fomento à Leitura.
Foto: Acervo pessoal.

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