Novo romance de Miguel da Costa Franco está em pré-venda

Edição: Vitor Diel com texto da assessoria
Arte: Giovani Urio sobre divulgação

“Ele não reconhecia legitimidade em sua recente e inesperada ascensão social. Uma ideia o dominava desde a partida do balneário famoso à beira do rio da Prata: todo sucesso pessoal deriva, de algum modo, do egoísmo. De pitadas de descaso pelo desejo ou necessidade do outro, coisa que sempre desprezara. Fazia disto um resumo da sensação de estranhamento com que convivera em sua estada em Punta Del Este. Passara as férias entre a elite bem-sucedida do cone sul da América, vivendo em meio a uma alegoria quase ultrajante de prosperidade. Agora, cortando o vazio do pampa uruguaio, sentia-se devolvido à crueza da América Latrina, com seus latifúndios extensos pontuados de ranchinhos modestos para uso dos serviçais. Ali, a pobreza e as diferenças ficavam mais explícitas. Era um novo mergulho na velha e suja desigualdade, a que haviam renunciado do convívio mais próximo por um curto e fantasioso período de férias. Tinha dificuldades de coabitar com estes brutais desníveis, olhando-os agora desde cima. Contaria a Sandra, e insistiria mais vezes no tema, entre um cochilo e outro da parceira, ter lido em algum lugar – livro, blog ou muro: ‘todo sucesso pessoal deriva do egoísmo'”.

Este é um trecho de A filha do Dilúvio, novo romance de Miguel da Costa Franco. De um lado, uma herança inesperada e a ascensão social; de outro, o cruento desenrolar da vida em meio à miséria e à falta de opções. Duas realidades paralelas, que se sobrepõem de forma explosiva, reorganizando desejos, afetos, traumas e dilemas pessoais. A obra está em pré-venda no site da Editora Libretos (link externo).

Sobre o autor:
A filha do Dilúvio é o segundo romance de Miguel da Costa Franco. É autor de Imóveis Paredes (Libretos, 2015) e Não Romance (Metamorfose, 2018), contos selecionados. Foi finalista do Prêmio da Associação Gaúcha de Escritores na categoria Narrativas Curtas e recebeu premiações também por conto, crônica e poesia. Participou de coletâneas, entre as quais a Antologia de Contistas Bissextos (L&PM, 2007). Escreveu o roteiro do filme O último desejo do Dr. Genarinho (2002), foi corroteirista do telefilme e da série de tevê Doce de Mãe (2012 e 2014), vencedora do International Emmy Award for Best Comedy em 2015, e colaborou no roteiro de Aos Olhos de Ernesto (2019), todos produzidos pela Casa de Cinema de Porto Alegre. Colaborou com jornais e revistas, como Correio do Povo, Pasquim Sul, Não, Parêntese e Sepé. Nasceu em Roca Sales/RS, em 1958.

A filha do Dilúvio
Miguel da Costa Franco
208 p.
Libretos
R$ 40
Compre aqui (link externo)

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