Figura de Linguagem disponibiliza quatro novos livros

Editora de Porto Alegre publica a gaúcha Marília Floôr Kosby e traduções de Teresa Cárdenas, Ina Césaire e Adam Kirsch

Edição: Vitor Diel sobre texto da assessoria
Arte: Giovani Urio sobre reprodução

Já estão disponíveis quatro novos títulos oferecidos pelo catálogo da Figura de Linguagem, editora independente de Porto Alegre. Entre eles Mugido, de Marília Floôr Kosby, obra finalista do Jabuti que encontra agora nova casa editorial. Todos os títulos estão disponíveis pelo site da editora (link externo). Saiba mais sobre as obras abaixo.

Mugido, de Marília Floôr Kosby

Finalista do prêmio Jabuti na categoria Poesia, Mugido [ou diários de uma doula] volta a circular em uma edição que refirma a centralidade da obra na melhor produção da literatura contemporânea. Esse livro emula, por meio das experiências de Kosby, imagens cruas sobre a experiência humana e animal no campo, através de um olhar feminino e feminista. Mas não só: é também um manifesto sobre a dissidência e o orgulho lésbico. Feminista, antiespecista, gaúcha; todas essas adjetivações podem ser aplicadas a essa obra que se candidata com tranquilidade a leitura permanente no cânone literário gaúcho. A nova edição apresenta prefácio do professor da UFRGS Luís Augusto Fischer e poemas inéditos acrescidos à edição original de 2017.

Confira um trecho abaixo:

sou eu toda
um tímpano

– não sois vós?

o amor nas canções
um assovio pelas costas
fonemas de horror
em frases feitas
pra me amansar

o cão ouve
muitas vezes mais
do que o ser humano

sou eu toda um tímpano só
debaixo da cama
em noite de foguetes

eu toda um tímpano só
me confundo com o mundo

silencia e
poupa as pedras
do teu bodoque

Mugido [ou diários de uma doula]
Marília Floôr Kosby
71 p.
R$ 59,99
Compre aqui (link externo)

Memória de mim, de Teresa Cárdenas

A renomada escritora cubana Teresa Cárdenas apresenta, de forma inédita no Brasil, sua produção poética. Em Memória de mim, a autora vencedora do Prêmio Casa das Américas desdobra na linguagem poética a sua brilhante veia narrativa. Com prefácio da tradutora Liliam Ramos, os 39 poemas remontam à infância sensorial em Cuba, às figuras matriarcas de sua existência e ao poder da literatura como ferramenta de emancipação.

Quando penso nela
desperta em mim carne defumada
de ancestrais e nos olhos crescem as colinas
abismais ou tigres
Ás vezes estou só
e a sinto
próxima radiante como um oceano sob o sol
e de muito longe me brota
não sei por quê
um canto sem palavras.

Memória de mim
Teresa Cárdenas; trad. de Liliam Ramos
116 p.
R$ 59,99
Compre aqui (link externo)

Contos de noite e dia nas Antilhas, de Ina Césaire

As quatorze narrativas curtas presentes em Contos de noite e dia nas Antilhas condensam a técnica e a capacidade imagética de Ina Césaire. A autora articula a oralidade como matéria-prima de seus contos, transformando a tradição falada da Martinica, em uma incrível experiência de leitura. Tradução de Jéssica Pozzi e Samanta Siqueira. Confira um trecho abaixo.

Desde esse dia até hoje, o moedor está no fundo do mar e continua dando sal, sal e ainda mais sal.
Antigamente, a água do mar era tão doce quanto a água de uma nascente. Foi a partir desse dia que ela ficou salgada.

Contos de noite e dia nas Antilhas
Ina Césaire; trad. de Jéssica Pozzi e Samanta Siqueira
139 p.
R$ 59,99
Compre aqui (link externo)

Quem quer ser um escritor judeu?, de Adam Kirsch

Adam Kirsch é um dos melhores críticos literários da atualidade. Esta coleção reúne seus ensaios sobre poesia, religião e suas interseções, com um foco particular na literatura judaica. Nela, o autor explora a definição da literatura judaica, a relação entre poesia e política e o futuro da reputação literária na era da internet. Questões como moralidade e espiritualidade também são referenciadas nesta edição, que tem tradução de Felipe Minor e Luiz Mauricio Azevedo e paratextos de Fabio Ackcelrud Durão, Claudia Laitano e Isadora Sinay.

Abaixo, um trecho.

No fim das contas, me parece que literatura, religião e política são partes da mesma empresa do pensamento. Isso não significa que os termos de todos esses domínios sejam intercambiáveis – que a literatura deva ser julgada por sua virtude política ou eficácia, ou que se deva pedir à religião que forneça o mesmo tipo de experiência que um poema, ou que a política deva ser encorajada a impor uma ordem estética à vida. Talvez a responsabilidade central de um crítico literário seja saber como manter separados esses domínios, sem esquecer que estão profundamente conectados: todos são formas de tentar entender o que este mundo realmente é e como devemos viver nele.

Quem quer ser um escritor judeu? E outros ensaios
Adam Kirsch; trad. de Felipe Minor e Luiz Mauricio Azevedo
236 p.
R$ 110
Compre aqui (link externo)

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