Democracia por um fio

Com humor, ironia e inteligência, livro transforma perplexidade em memória e memória em resistência

Edição: Vitor Diel
Arte: Reprodução

Democracia por um Fio reúne uma seleção de charges produzidas pelo jornalista e chargista Celso Schröder, entre 2018 a 2022 — anos em que o Brasil mergulhou num redemoinho autoritário onde o absurdo deixou de ser exceção e virou método de governo. Ao lado dos desenhos, os textos do escritor e tradutor Ernani Ssó ajudam a reorganizar a memória coletiva de um período marcado pela violência política, pela desinformação e pela destruição sistemática das mediações democráticas.

Ao registrar a tragicomédia que ajudou o vírus que nos ameaçava à época da pandemia da Covid-19, desmontar estruturas sociais e empurrar novamente milhões para a fome, o livro também faz uma aposta radical: a de que rir, pensar e lembrar ainda são formas de impedir que a barbárie vença. Com humor, ironia e inteligência, Democracia por um fio transforma perplexidade em memória e memória em resistência.

“Este livro nos desafiou a conseguir reproduzir o pânico e a ameaça desse passado próximo e, ao mesmo tempo, a dimensão absurda dos personagens. Representar o ridículo profundo e assustador não é tarefa fácil. A urgência crescente expressa no traço rabiscado é a prova do que estava atrás da porta”, explica Schröder.

O título inicialmente pensado (Democracia em risco) acabou sendo rebatizado por Olívio Dutra, conforme o próprio conta no prefácio: “troquei o ‘em risco’ pelo ‘por um fio’. Sem nenhuma pretensão de corrigir o texto ou dar-lhe alguma precisão faltante, mas por puro vício de linguagem. O risco é que o fio pode, não pelo pousar dos pássaros mas por intempéries, ventanias, sabotagens e ladroeiras desencapar-se. Ocorre que capacetes, luvas e perneiras acima dos joelhos não nos livram desse risco pois compõem a indumentária do próprio Batalhão de Choque! Mas vamos ler, ver e saborear este livro onde cada charge vale por mil discursos, principalmente dos meus”, observa.

A publicação conta com o apoio da Grafar, Grifo, SindBancários e Clube de Cultura, e está em pré-venda na plataforma Origo até o dia 7 de agosto. O evento de lançamento será no dia 10 de agosto no Clube de Cultura (Rua Ramiro Barcelos, 1853 – Bom Fim, Porto Alegre/RS).

Sobre os autores
Celso Augusto Schröder é cartunista, jornalista, professor e sindicalista. Foi chargista do jornal Correio do Povo, professor de jornalismo na Famecos, PUCRS, presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS, da Federação Nacional dos Jornalistas, FENAJ, da Federação de Jornalista da América Latina e do Caribe, FEPALC e vice-presidente da Federação Internacional dos Jornalistas, FIJ. Foi também Superintendente de Comunicação da ALERGS, Secretário de Comunicação do PT-RS e representante dos jornalistas no Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional. Hoje é coeditor do Grifo, O Jornal Que Ri.

Ernani Ssó é escritor e tradutor. Se dedica apenas à literatura desde 1974, quando foi largado pelo jornalismo. Escreveu para adultos, entre outros: O sempre lembrado (novela), IEL, 1989; O emblema da sombra (romance), Artes e Ofícios, 1998; Como o diabo gosta (romance), Cosac Naify, 2015. Para crianças, entre muitos outros: Contos de morte morrida, Companhia das Letrinhas, 2007; No escuro – Sete histórias tenebrosas de bruxa, Edelbra, 2012; Lendas urbanas da morte, Alfaguara, 2015. Como tradutor, entre dezenas de autores de todos os tamanhos, encarou um gigante, Cervantes, em Dom Quixote e Novelas exemplares, ambos pela Penguin-Companhia. Humor e imaginação são seus amuletos.

Democracia por um Fio
Celso Augusto Schröder e Ernani Ssó
112 p.
R$ 90
Edições Grifo

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