Lana, como eu odeio esses caras!

Romance de Arthur Simon mistura drama adolescente, romance LGBTQIAP+, suspense histórico e elementos sobrenaturais, culminando em uma luta por justiça e aceitação

Edição: Vitor Diel
Foto: Anna Simas

Jéssica, uma adolescente de 15 anos, se muda com os pais para Hortênsias, uma pequena cidade “fictícia”, de colonização alemã em Santa Catarina, e sofre bullying na nova escola. Sua vida muda ao conhecer Lana, a enigmática vizinha de cabelo platinado e tatuagem de arco-íris. Juntas, elas descobrem não apenas uma atração e um romance emergente, mas também segredos sombrios da cidade: poderes telecinéticos que Lana herda, uma história de perseguição nazista e integralista, e uma organização secreta chamada “Deus, Pátria e Família”.

Aos poucos, o que parecia ser apenas mais uma mudança para uma cidade do interior se transforma em uma jornada de autodescoberta, perigo e amor. Lana, como eu odeio esses caras!, romance de estreia de Arthur Simon, mistura drama adolescente, romance LGBTQIAP+, suspense histórico e elementos sobrenaturais, culminando em uma luta por justiça e aceitação.

Ambientado em 2008, o romance resgata a atmosfera dos primórdios das redes sociais, como Orkut, MSN e comunidades virtuais, para construir uma narrativa que reúne amadurecimento, suspense sobrenatural e thriller político. Em meio a referências da cultura pop, que vão de Britney Spears à série Friends, Arthur Simon desenvolve uma história sobre o que significa ser diferente em um lugar que cultiva a uniformidade.

A trama se desenrola em duas frentes. De um lado, o romance entre Jéssica e Lana desafia as convenções de uma cidade onde tudo o que foge da norma é tratado com desconfiança ou violência. De outro, a descoberta de diários escritos em 1942 revela um passado marcado pela repressão e por um amor proibido durante o Estado Novo. O nazismo e o integralismo, longe de permanecerem apenas na memória histórica, ressurgem na narrativa por meio de uma organização extremista que continua atuando nas sombras da cidade.

Embora trate de temas como intolerância, violência política e extremismo, Lana, como eu odeio esses caras! também é uma história sobre afeto, pertencimento e descoberta. O relacionamento entre as protagonistas é construído com delicadeza e humor, abordando questões como a bissexualidade, o medo da rejeição familiar e a importância da aceitação. Para Arthur Simon, trata-se do livro que gostaria de ter encontrado quando era mais jovem e da confirmação de que a literatura de entretenimento também pode provocar reflexão e ampliar perspectivas.

Com uma escrita que o autor define como cinematográfica e hiperestésica, expressão utilizada pelo escritor Luiz Antonio de Assis Brasil durante uma oficina literária, o romance alterna momentos de tensão e intimidade, incorporando diferentes formatos narrativos, como diários, artigos de jornal, bilhetes e publicações em fóruns da internet. A estrutura cria uma narrativa fragmentada que amplia o suspense e reforça a investigação sobre os segredos de Hortênsias.

Sobre o autor
Arthur Simon, nascido em 1993, é escritor e servidor público. Especialista em Escrita Criativa pela PUCRS, escreve de Florianópolis. Foi menção honrosa no 4º Prêmio Literário Máquina de Contos com o conto de vingança O presente de Marta. Lana, como eu odeio esses caras! é seu primeiro romance. Acredita no poder formativo da literatura de entretenimento e sua principal influência é a cultura pop.

Lana, como eu odeio esses caras!
Arthur Simon
324 p.
R$ 89
Casa de Astérion

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