Diego Lops e seu dicionário de palavras inexistentes

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre foto de acervo pessoal/Facebook

MAGRAFO: s.m. | Qualquer coisa que ainda não seja definida por uma palavra.

Quem nunca quis dizer algo e não achou as palavras? Quem nunca teve uma sensação para a qual não encontra termo adequado na própria língua? Magrafo é um pequeno dicionário criado por Diego Lops com mais de duzentos verbetes muito humorados e que resolve parte considerável desses problemas.

Confira algumas das definições elaboradas pelo autor:

CASSOM (s.m.) – o embaraço por ter esperado pelo terceiro beijo ao cumprimentar alguém e não recebê-lo. Também o embaraço de quem tenta dar o terceiro beijo enquanto o outro se afasta. Dependendo da região do país, o número de beijos envolvidos pode variar. No sul, por exemplo, dar três beijos ainda é comum, mas, dependendo do grau de intimidade entre os envolvidos, o número de beijos diminui. Uma estratégia comumente usada para se evitar o cassom é ficar por último na fila de cumprimentos e observar quantos beijos as pessoas trocam. O cassom também se aplica à ocasião em que a confusão leva a um involuntário beijo na boca. Outra maneira de evitar esse embaraço é ficar em casa e renunciar à vida social.

CHUMBAGO (s.m.) – aquela pessoa que, em uma festa ou jantar em casa, não vai embora nunca, mesmo que todos os outros já tenham ido, e apesar dos teatrais bocejos do anfitrião. É comum o chumbago prolongar a conversa quando já está na porta de saída ou enquanto segura o elevador. Ver: sostuto.

GLOMBA (s.f.) – aquilo que fica muito tempo na geladeira e não se tem certeza se ainda está bom, e acaba sendo deixando lá.

GLOMBACO (s.m.) – aquilo que fica muito tempo na geladeira e se sabe que não está em condições de consumo, e mesmo assim é deixado lá.

GLOMBUXO (s.m.) – a glomba (ou glombaco) que depois de muito tempo na geladeira ficou totalmente inidentificável e acaba, finalmente, indo pro lixo.

DOMODETE (s.f.) (é) – a pequena alegria de se encontrar dinheiro no bolso de uma roupa que não se usa há muito tempo. Oitenta e sete por cento das domodetes ocorrem no começo do inverno.

No prefácio, Katia Suman convida:”Quando o mundo parecer desgovernado, a vida sem sentido e nem a verdadeira maionese puder nos salvar, é só abrir o Magrafo para encontrar a graça perdida”.

Sobre o autor:
Diego Lops nasceu em Porto Alegre, onde abandonou a faculdade de Jornalismo para se formar em Letras. Morou em Salvador, Vancouver e Araraquara, mas sempre retorna à sua cidade natal. É contista, cronista, revisor, tradutor e colecionador de frases. Venceu o III Prêmio UFES de Literatura na categoria Melhor Livro de Contos, com Pessoas Partidas (2016). Em 2017 publicou Frases ouvidas por aí. Mantém o blog bemfacildelembrar.blogspot.com e muitos outros que não caberiam aqui.

Magrafo: dicionário de palavras inexistentes
Diego Lops
88 p.
12,5 x 18 cm
978-85-9516-017-0
R$ 30
Tomo Editorial

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