Christina Dias: Crianças em Porto Alegre

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio

Arquivo LRS: Publicado em 23 de maio de 2016

Christina Dias é um dos nomes mais requisitados por feiras de livros e eventos literários pelo Rio Grande do Sul. Autora de livros para crianças que acumula prêmios e indicações, como o Açorianos de Literatura e o Jabuti, é admirada pelos pequenos e pelos adultos por sua criatividade e por sua obra diversificada e consistente. Crianças em Porto Alegre (Noz, 2016), um guia ilustrado sobre a capital gaúcha, percorre os caminhos da história e da cultura porto-alegrenses em meio a divertidas ilustrações de Laura Castilhos. Na entrevista abaixo, Chris Dias fala sobre sua relação com Porto Alegre e sobre a produção desse livro. Confira!

Como surgiu a ideia da criação do livro Crianças em Porto Alegre?
Surgiu de uma provocação da Laura Castilhos, que conheceu guias ilustrados de várias cidades do mundo e queria que Porto Alegre também tivesse um. Gostei da ideia e comecei a procurar os lugares mais bacanas de Porto Alegre e que gostaria que todos conhecessem. Fazer o livro foi uma espécie de reconhecimento da cidade onde nasci e a única em que vivi até hoje.

Laura Castilhos. Reprodução

Como foi a parceria com Laura Castilhos, uma das ilustradoras mais requisitadas e elogiadas do Rio Grande do Sul?
É um privilégio conseguir fazer um projeto com a Laura. Há alguns anos tentamos, mas o tempo é sábio e conseguimos fazer esse livro de forma completamente coletiva, como acredito que deva ser a construção de um livro ilustrado. É importante dizer também que nada disso existiria se não fosse a participação da Marta Castilhos com o projeto gráfico. Esse tripé — texto, imagem, formato — é o que sustenta o livro e nossa parceria foi intensa e completa. Tudo construído em grupo. Tudo pensado coletivamente.

Como foi a sua infância em Porto Alegre? Difere muito da infância das crianças atualmente?
Acho que criança sempre encontra um jeito de ser criança não importa onde ou como viva. Claro que brinquei mais na rua, com menos televisão e mais segurança. Convivi com cachorro que era tratado como membro da família. Estudei em escola pública para a qual ia a pé. O melhor da infância de outros tempos era a possibilidade de encontro com pessoas diferentes. Hoje construímos castas de proteção e isso diminui a nossa participação na vida, complica nossa humanidade. Por isso resolvi criar um projeto que anda na rua, ocupa a praça e promove encontro com pessoas e objetos do brincar de outros tempos. Mas vejo muita criança criativa ainda e cheia de ideias. Isso é o que importa.

Estudos de ilustração. Laura Castilhos

Como foi a sua infância em Porto Alegre? Difere muito da infância das crianças atualmente?
Acho que criança sempre encontra um jeito de ser criança não importa onde ou como viva. Claro que brinquei mais na rua, com menos televisão e mais segurança. Convivi com cachorro que era tratado como membro da família. Estudei em escola pública para a qual ia a pé. O melhor da infância de outros tempos era a possibilidade de encontro com pessoas diferentes. Hoje construímos castas de proteção e isso diminui a nossa participação na vida, complica nossa humanidade. Por isso resolvi criar um projeto que anda na rua, ocupa a praça e promove encontro com pessoas e objetos do brincar de outros tempos. Mas vejo muita criança criativa ainda e cheia de ideias. Isso é o que importa.

O que você acha das mudanças às quais Porto Alegre foi submetida ao longo dos anos?
Nossa cidade cresceu muito e não só para fora. A pavimentação que vivemos na década de 90 da maioria dos bairros da cidade a ampliou internamente. Lugares inacessíveis se tornaram próximos. Isso foi muito bom. Minha infância também foi marcada por muitos alagamentos. Quem lembra da época em que era impossível passar pelo Beira-Rio em dias de temporal? Nossa proximidade com a água sempre foi intensa. Hoje a cidade está mais preparada, embora o vento ande complicando as coisas. Sinto falta de um plano diretor capaz de bloquear a derrubada das construções antigas, mas gosto de ver quanta arte tem nas ruas e nas praças. Procurei registrar isso no livro. Há muita beleza por aí.

Se você pudesse trazer de volta algo do passado, o que seria?
A limpeza e a balneabilidade do Guaíba. Ir a praia nem Porto Alegre seria um luxo. O Olímpico também seria bem bom!

Crianças em Porto Alegre
Christina Dias, Laura Castilhos ils.
52 p.
20 x 20 cm
978-85-99265-05-5
Editora Noz

Literatura RS, 2015. Disponível em: https://www.facebook.com/literaturars/posts/753643294753384:0, 2015. Acesso em: 07 de outubro de 2020.

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