Minha rotina: Marcelo Martins Silva

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre foto de acervo pessoal

Reconhecido como um dos novos nomes da poesia gaúcha contemporânea, Marcelo Martins Silva é um autor consciente sobre a influência que a materialidade das coisas têm sobre a sua escrita. Reflexo disso é o livro A Matéria Inacabada das Coisas, lançado em 2020 pela Editora Diadorim, seu segundo título a criar elos entre o cotidiano, os fatos e a subjetividade do olhar do poeta. A obra sucede O que carrego no ventre, editado pela Figura de Linguagem em 2019 e finalista do Prêmio AGES na categoria Poesia.

Natural de Porto Alegre, Marcelo Martins Silva é professor de Língua Portuguesa e Literatura da EJA, criador da oficina A poesia é um atentado celeste e foi um dos idealizadores e apresentadores do podcast de poesia Cafuné com Mandinga, junto com a artista Genifer Gerhardt, transmitido pela Mínima FM. Convidado desta edição da série Minha rotina, Marcelo compartilha conosco as particularidades de seu processo de escrita e de sua visão de mundo – muito atrelada à coletividade e à música. Boa leitura!

Você tem uma rotina para escrita? Você escreve diariamente?
Não é necessariamente uma rotina, mas gosto de escrever pela manhã, ouvindo música e tomando café, muitas vezes não consigo. Porém, escrevo-rabisco um caderninho de notas, diariamente.

Você elabora algum planejamento para a produção dos seus livros?
Até agora nenhum. Vou escrevendo até perceber que tenho um conjunto de poemas, de textos, que possuem uma unidade. Mas ando me aventurando para além da poesia e vejo que algum planejamento é necessário.

Fotos: acervo pessoal

O que você faz para distrair-se do trabalho da escrita?
Antes da pandemia eu fazia muita coisa, sou um cara muito da rua. Tocava repinique em blocos de carnaval como o Bloco da Laje, Axé que Enfim, Avisem a Shana que vai chover, entre outros. Estava sempre envolvido com os ensaios, as saídas, também em ver shows, rodas de samba. Agora é meio que ver filmes, ler mais, passar muito tempo trocando áudios com os amigos.

Qual plataforma ou editor de texto você utiliza para escrever? Por quê? E como organiza os arquivos?
Não tem nada de plataforma. É escrever à mão, depois digitar no Word e salvar em um pen drive com alguma organização. Confesso que organização não é uma habilidade muito forte em mim. Mas quanto a plataforma, digamos, publicar em algum lugar: coloco bastante coisa no Facebook e no Instagram.

O que um escritor precisa para escrever?
Música é algo que considero muito importante no meu processo, nem sempre pela questão de uma busca por ritmo ou musicalidade, mas muito por certa atmosfera que determinada música suscita. Eu repito por aí que gostaria de escrever como o Thelonious Monk tocava piano.

O que você está escrevendo no momento?
Estou escrevendo uma novela, Mil Manhãs Semelhantes, para e Revista Parêntese, cujos capítulos são publicados semanalmente. Tem sido um desafio sensacional. Às vezes sofro, às vezes o texto vai que é um doce. Quero fazer outros projetos na prosa.

Quais autores e autoras são os seus preferidos e quais livros vocês recomenda?
Ah! Eu nunca consigo me afastar muito daqueles que foram meus formadores: volta e meia releio Julio Cortázar, alguma coisa do Franz Kafka, outra da Clarice Lispector. Recentemente li os livros do Jeferson Tenório, José Falero, Tônio Caetano; acredito que foram os melhores livros de prosa que li em 2020.

Na poesia tenho muito apreço pelo Carlos Drummond de Andrade, Herberto Helder, Vicente Huidobro, Hilda Hilst, Alejandra Pizarnik, Ana Martins Marques, João Cabral de Melo Neto, dele peguei a coisa de colocar a imagem da pedra em quase tudo que eu escrevia.

E do pessoal daqui gosto demais do Pedro Dziedzinski – um poeta de uma força trituradora incrível, João Nunes Junior, Davi Koteck. Mantenho um olho sempre no que faz o Ronald Augusto, acho instigante o que ele produz, o Duan Kissonde e o Marlon Pires também me parecem criar uma linguagem bastante particular, assim como a Ana dos Santos. Gosto de ler coisas diversas, que me desloquem “apenas do que eu gosto de ler”, que provoquem certa inquietação.

A Matéria Inacabada das Coisas
Marcelo Martins Silva
68 p.
R$ 38
Diadorim Editora
Compre aqui (link externo)

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