Contos de muitas mulheres

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre reprodução

Vencedor do Prêmio da Associação Gaúcha de Escritores 2020 na categoria contos, o livro Em nossa cidade amarelinha era sapata reúne 18 histórias breves cujo protagonismo é exercitado por personagens bissexuais e lésbicas. Escritas pela gaúcha radicada no Rio de Janeiro Marina Monteiro, as narrativas são conduzidas com delicadeza e bom humor e tratam de diversos aspectos das existências e descobertas das mulheres de muitas gerações.

No conto que empresta título à obra, a autora revela-se uma contadora de histórias habilidosa e inteligente ao apresentar diversas camadas de compreensão sobre a sexualidade na infância. Competente na construção de panos de fundo diante dos quais suas personagens transitam, Marina Monteiro entrega para o público leitor uma obra carregada de sensibilidade.

Confira os dois parágrafos iniciais do conto O parto:

A luz crepuscular que entra na nossa casa perfila Maria sentada na poltrona próxima às plantas. O ambiente já foi todo preparado com velas a postos, trilha sonora escolhida a dedo, incensos e a piscina no centro da sala Janelas abertas para que a brisa entre, e contato constante com a doula pelo telefone – logo, logo ela chega Nove meses nos conduziram até este cenário Eu nunca havia me imaginado mãe.

Quando Maria me deu um ultimato dizendo que ou a gente tinha um bebê juntas ou ela ia separar e ser mãe sozinha mesmo, eu tive que parar pra pensar nisso a sério pela primeira vez na vida. Até os 40 anos eu consegui escapar das indiretas das antigas namoradas. Eu levava na brincadeira e depois me esquivava, esperava que a vontade delas fosse fogo de palha, caso não fosse vinha o término e a vida seguia. Com a Maria foi tudo diferente.

Sobre a autora
Marina é porto-alegrense de nascimento e infância, manezinha da ilha de coração e carioca há onze anos de morada. Escritora, atriz, arte-educadora e dramaturga. É formada em teatro pela UDESC e estuda Filosofia na UFRJ. Em 2010 teve seu primeiro livro publicado, Comendo borboletas azuis, pela editora Multifoco/RJ. Em 2018 retomou sua produção literária. Com o conto Assalto foi selecionada para a edição da zine Que o dedo atravesse a cidade, que o dedo perfure os matadouros, idealizada pelo coletivo Palavra Sapata. Com a prosa Ninguém morreu! participou das edições das revistas Panta e LiteraLivre. Assina a organização do livro Uma Vida Positiva de Rafael Bolacha. Em nossa cidade amarelinha era sapata é seu primeiro livro de contos.

Em nossa cidade amarelinha era sapata
Marina Monteiro
168 p.
Editora Patuá
R$ 40
Compre aqui (link externo)

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