Um espaço de vulnerabilidade

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre foto de Diego Lopes/CRL

“Enquanto as literaturas para a infância e seus profissionais forem percebidos como um fenômeno menor, todo o segmento da cultura estará em risco”

Há alguns meses, saltam aos olhos indícios de negligência das programações de feiras de livro de 2021 em relação às literaturas para a infância. Após a Feira do Livro de Canoas ter suprimido sua programação para público infantil, a Feira do Livro de Porto Alegre acompanha este movimento e apresenta um evento que se mostra esvaziado em suas atividades para os pequenos.

A reação foi rápida e explícita: a Associação Gaúcha de Escritores, ainda no primeiro dia do evento de Porto Alegre, publicou uma nota de repúdio na rede social, em que denuncia a ausência de escritores de LIJ na programação do evento. Diz o post: “(…) ao ser divulgada a programação, a diretoria da AGEs percebeu, um tanto surpresa, a ausência substancial de autores e de autoras cuja obra é específica para a infância e a adolescência, segmentos de público bastante importantes, ao se pensar a necessidade de um país mais leitor”.

Autores gaúchos de LIJ têm participado de uma corrente virtual em que mosaicos de fotos são criados com retratos de seus pares, evidenciando a diversidade de nomes e de trabalhos literários consolidados que estão sendo negligenciados pela organização do evento. A decisão da Câmara Rio-Grandense do Livro de suprimir os autores de LIJ da programação da Feira do Livro de Porto Alegre de 2021 causa espanto sobretudo em função da tradição elogiosa de promoção desta literatura e de trabalho consistente aliado a escolas e a programas de formação de leitores ao longo de muitos anos — iniciativas que conquistaram o reconhecimento no Rio Grande do Sul e se tornaram referência no Brasil.

Esta realidade sinaliza que em épocas de crises econômicas, políticas e sanitárias, alguns espaços dentro do campo da cultura são mais vulneráveis que outros. Enquanto as literaturas para a infância e seus profissionais forem percebidos como um fenômeno menor, todo o segmento da cultura estará em risco porque a vitalidade de um setor depende do engajamento de todos os seus atores na construção de uma consciência cidadã que, em última instância, impacta na vida econômica de um mercado.

Literatura RS deseja que esta realidade não seja um “novo normal” advindo com a pandemia e que todos os profissionais de todos os segmentos da literatura e do mercado editorial mobilizem-se por este campo sob ameaça que é a LIJ.

Vitor Diel, jornalista e editor de Literatura RS

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