Da imprensa para o livro

Novos títulos de Fernanda Bastos e Luiz Maurício Azevedo reúnem ensaios, crônicas e artigos publicados em periódicos diversos

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre foto de Pedro Heinrich/CRL e Vitor Diel

Reconhecidos pela sua atuação literária politicamente compromissada, especialmente através do trabalho à frente da editora Figura de Linguagem, Fernanda Bastos e Luiz Maurício Azevedo lançam dois novos títulos que registram e ampliam o potencial de sua postura antirracista.

Autora dos volumes de poemas Dessa cor e Eu vou piorar, Fernanda Bastos reúne pela primeira vez textos publicados nos jornais GaúchaZH e Correio do Povo, em portais como Literatura RS – do qual é colunista – e em publicações especializadas como a revista da TAG Livros. Os árbitros, as botas, as melancias & os postes é um reflexo do pensamento e das referências da poeta, como Alice Walker, June Jordan, Djamila Ribeiro e Aline Daka. “Quando meu editor reuniu os textos, percebi que minha principal preocupação é com a construção de um cânone em que eu possa me espelhar e que me indique possibilidades de exercer uma trajetória artística com ética e honestidade. É sobre isso que falo nesse livro”. A apresentação do livro é do jornalista Vitor Diel: “Os artigos e crônicas presentes aqui revelam uma pensadora engajada na edificação de uma cosmovisão que aponta para um futuro mais humano, mais consciente, mais crítico e menos cínico — função típica dos verdadeiros intelectuais”, analisa o jornalista.

Abaixo, um trecho da obra:

“Por que o turno de fala do subalterno parece ser, para alguns, o fim da democracia? Talvez, no inconsciente, os implicados nessa carta não se relacionem bem com os protestos antirracistas. É desconcertante que, justamente quando pessoas que costumavam ser canceladas por suas características culturais assumam as estratégias de mobilização nas ruas e consigam, muitas vezes, ocupar os espaços antes interditados para elas, parte da intelectualidade progressista se levante para interromper o processo de indagação histórica. As estátuas anacrônicas dos dominadores estão caindo. Melhor não procurar proteção sob elas.”

Já Luiz Mauricio Azevedo, autor do aclamado Estética e raça: ensaios sobre a literatura negra, retorna com um livro sobre memória, com incursões sobre o passado e sobre os embates culturais que marcam a experiência negra no Sul do Brasil. O lançamento da obra Wolfsegg, Rio Grande do Sul, celebra o patronato do autor na Feira do Livro de Osório, que acontece de 19 a 26 de novembro desse ano. A obra reúne crônicas do crítico literário e ensaios publicados na imprensa, em veículos como Folha de S. Paulo, Matinal e Literatura RS, do qual é colunista. “Esse livro representa uma radicalização em relação às ideias que já desenvolvi em outras obras, como em Por uma literatura menos ordinária. Essa é, também, uma oportunidade de lançar livro em uma feira literária, que é um belo momento do autor com seu público”, comenta Azevedo. O posfácio é assinado pelo escritor Celso Gutfreind. “Quem acompanha a sua produção, na imprensa ou em livro em si, logo reconhece um ‘Luiz Maurício’. O estilo despojado e conciso, mesmo que em textos mais longos do que os clássicos habituais no gênero, o humor (pessoalíssimo), a erudição sem afetação, o frasista original, imprimindo conteúdos muito seus e também contemporâneos (para o mundo e para a crônica), como o prazer da discussão em torno de um conflito de ideias, sem perder o lirismo (ok, nem sempre, porque a paciência tem limite), e o argumento, bem diferente do que costuma, hoje, manifestar-se na cultura polarizada do mundo em si, fora dessas crônicas”, escreve Gutfreind.

Confira um trecho abaixo:

“Não podemos, eu sei disso, evitar o triunfo do mal, mas não devíamos celebrá-lo. Não devíamos dar nosso endosso às forças que trabalham sistematicamente para nosso desaparecimento. Dar nosso endosso às forças que trabalham sistematicamente para nosso desaparecimento é algo que não deveríamos fazer. Eu digo isso porque realmente acho que você concorda comigo nesse ponto: não devíamos dar nosso endosso às forças que trabalham sistematicamente para nosso desaparecimento. E, se eu estiver realmente certo, você terá em mim um apoio, porque afinal, não daremos nosso endosso às forças que trabalham sistematicamente para nosso desparecimento.”

As obras estão disponíveis pelo site da Figura de Linguagem (link externo).

Sobre os autores
Fernanda Bastos nasceu em Porto Alegre, em 1988. Ela atualmente equilibra as funções de jornalista, na TVE; de colunista, no portal Literatura RS, e de produtora de conteúdo do podcast Onda Negra, na plataforma Feminismos Plurais. Em 2018, idealizou e criou a Figura de Linguagem. Mestre em Comunicação, pela UFRGS, possui inexplicável fascínio pela obra do poeta Vladimir Maiakóvski.

Luiz Maurício Azevedo nasceu em 1980, na cidade de Cascavel (PR). Ele é Doutor em Teoria e História Literária pela UNICAMP; e pesquisador pós-doc na USP. Recentemente tornou-se vegetariano e passou a acreditar que Lee Harvey Oswald agiu sozinho. A despeito disso, é colunista da revista Parêntese e do portal Literatura RS.

Os árbitros, as botas, as melancias & os postes
Fernanda Bastos
145 p.
R$ 79,99
Figura de Linguagem
Compre aqui (link externo)

Wolfsegg, Rio Grande do Sul
Luiz Maurício Azevedo
150 p.
R$ 79,99
Figura de Linguagem
Compre aqui (link externo)

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