Eliane Tonello: Delfina Benigna da Cunha na história gaúcha

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre fotos de acervo pessoal

“A deficiência visual em virtude do efeito da varíola, adquirida quando bebê, aos 20 meses de idade, não impediu o seu destaque no cenário nacional

A poeta cega Delfina Benigna da Cunha — uma mulher importante na fundação da literatura gaúcha — nasceu em 17 de junho de 1791, em São José do Norte, município sul-rio-grandense e faleceu no Rio de Janeiro em 1857, aos 65 anos. A deficiência visual em virtude do efeito da varíola, adquirida quando bebê, aos 20 meses de idade, não impediu o seu destaque no cenário nacional. Publicou o 1º livro de poesia impresso no Rio Grande do Sul — Poesias oferecidas às senhoras rio-grandenses, em 1834, quando da chegada das impressoras na Província de São Pedro, pela Tipografia Fonseca & Cia de Porto Alegre.

Desde a infância, recebeu uma sólida educação dentro de sua própria casa. Aos doze anos, já estaria alfabetizada e escrevendo poemas. Com a morte do pai, a “poeta cega” (ou a “ceguinha”) perdeu, além do apoio e da proteção, o amparo financeiro. Através de um soneto com um apelo ao Imperador D. Pedro I, conseguiu obter uma pensão vitalícia – relacionada aos feitos militares do pai – e viveu nos pampas até os 44 anos. Em 1835, com a Revolução Farroupilha, por questões político-ideológicas, foi obrigada a deixar a Província. Delfina viveu então um intenso período de produção e frequência a saraus no Rio de Janeiro.

O nome Delfina está estampado como patrona da Cadeira nº 1 da Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul, e na de nº 39 da Academia de Artes Literárias e Culturais do Estado do Rio Grande do Sul. Também batiza a Escola Municipal Ensino Fundamental Delfina Benigna da Cunha – São José do Norte, a rua Delfina Benigna da Cunha – Bairro Camaquã, em Porto Alegre, e a rua Delfina da Cunha – Centro de Imbé- RS. Também sua obra literária tem sido motivo de estudos acadêmicos. No ano em que se comemora os 230 anos de seu nascimento, é escolhida como Patrona da AJEB RS – Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – Coordenadoria RS, que completa 41 anos de fundação. Durante a programação da 67ª Feira do Livro de Porto Alegre, em 13 de novembro, ocorreu o lançamento virtual da Coletânea Palavras 2021 e da medalha criada em homenagem a Delfina, com a qual todas as associadas foram presenteadas, e que se encontra exposta no Museu da Biblioteca Municipal Delfina Benigna da Cunha, em sua terra natal.

*Eliane Tonello nasceu em Rondinha/RS e reside em Porto Alegre. É Psicóloga Clínica, escritora, artesã e compositora. Autora de Tecendo a Sanidade: o caso Arthur Bispo do Rosário, Encontro nas Estações, A Espiral de Gerações, entre outros títulos. Membro Efetivo da Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul; Academia de Letras do Brasil, ALMURS (Rondinha) e outras. Presidente-coordenadora da Associação de Jornalista e Escritoras do Brasil.

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