Minha rotina: Maria Ottilia Rodrigues

“Tento me colocar em situações que as personagens viverão, observar ambientes que futuramente serão descritos; ouço com muita atenção as conversas”

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre foto de acervo pessoal

Maria Ottilia Rodrigues estreou na literatura em 2019, com a coletânea de poemas Savanália, pela Bestiário — editora pela qual publicou ainda Canibalística, outra coletânea de poemas inéditos, e Por causa de você, menina, sua primeira narrativa longa e vencedora do Prêmio Mozart Pereira Soares em sua categoria. Além de escritora, Maria Ottilia é professora, pesquisadora, pintora, compositora, modelo e musicista. Como a autora de vinte anos mantém a organização diante de todas essas atividades é um dos assuntos abordados nesta entrevista. Confira abaixo.

Você tem uma rotina para escrita? Você escreve diariamente?
Não exatamente. No momento, por estar escrevendo uma narrativa longa, procuro escrever todos os dias. No entanto, não escrevo sempre na mesma hora ou no mesmo período, além disso, têm dias que não sobra tempo e está tudo bem… Por causa de você, menina, meu primeiro livro em prosa, teve sua primeira versão escrita em um mês, pois era início da pandemia e estava sem fazer quase nada, já o Savanália foi um bocado de anos, há livros e livros, até porque dependendo do gênero minha forma de escrita muda completamente : poemas escrevo quando sinto necessidade e a prosa escrevo quando uma história não me sai da mente, seja ele fictícia ou não.  

Você elabora algum planejamento para a produção dos seus livros?
Tenho uma certa forma de elaboração para os livros de narrativa longa, mas não é nada muito quadrado. Tento me colocar em situações que as personagens viverão, observar ambientes que futuramente serão descritos; ouço com muita atenção as conversas (minhas e dos outros) e paro para anotar o que achei interessante (geralmente, no livro, a conversa se torna um texto completamente diferente do real, mas a ideia está ali). Os livros de poesia, depois de decidir publicar algo, escolho os poemas pela temática que irei abordar.

Fotos: acervo pessoal

Além da escrita, você se dedica a outras atividades criativas?
Sim, algumas. Nos próximos meses pretendo expor meus quadros em uma exposição individual e começar a gravação do disco ELA (s). Esse disco terá entre seis e oito canções que compus, além da minha participação em alguns instrumentos de corda. Sou modelo também, fui de agência por um ano, mas agora venho fazendo trabalhos freelances.

Qual plataforma ou editor de texto você utiliza para escrever? Por quê? E como organiza os arquivos?
Uso notas do IOS e Word. O notas é meu caderninho diário, escrevo poemas, narrativas curtas, ideias para futuros textos. Inclusive, o livro Canibalística foi feito todo no notas do meu celular. Nesse aplicativo, podemos criar pastar e procurar textos por palavras, no entanto, os meus poemas de 2020 até 2022 não foram separados por pasta e agora que eu estou com um novo projeto de livro, está complicado de achar todas. O Word uso para prosas longas, sem exceção. Já tentei usar aplicativos específicos para escritores e não me adaptei. Organizo ideias no Excel e começo a escrever, não sou muito metódica.

O que uma escritora precisa para escrever?
Vontade. Fernanda Montenegro, em uma entrevista, deu uma dica aos atores que estavam iniciando a carreira: desistirem. Só deveriam continuar se morressem de desgosto ao parar de atuar. Tento dizer o mesmo, só escrevo porque às vezes não consigo dormir à noite com uma ideia incessante de texto e me torno infeliz se paro de escrever. Conheço muitos autores assim e isso que nos define: a incompatibilidade com uma vida sem escrita.

Quais autores e autoras são os seus preferidos e quais livros vocês recomenda?
Eu sou completamente apaixonada por Cecília Meireles e Álvares de Azevedo, no entanto, não irei recomendar nenhum livro deles, há! ABC da literatura, de Ezra Pound, e Gesto Inacabado, de Cecilia Almeida Salles, são livros teóricos que eu gostaria de ter escrito. Os dois sintetizam de uma maneira bem clara muitas visões minhas da literatura ao todo; O cortiço, de Aluísio Azevedo, porque é um dos clássicos da literatura brasileiro que mais gosto, e No ritmo dessa festa, de Bruna Lombardi, porque achei recentemente nos meus livros, li e gostei muito da forma que ela se expressa através da poesia.

Pro causa de você, menina
Maria Ottilia Rodrigues
108 p.
R$ 36
Editora Bestiário
Compre aqui (link externo)

Apoie Literatura RS

Ao apoiar mensalmente Literatura RS, você tem acesso a recompensas exclusivas e contribui com a cadeia produtiva do livro no Rio Grande do Sul.

Literatura RS

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s