Nas fronteiras dos afetos

Alessandra Rech constrói um percurso pelo seu universo confidencial em crônicas que brincam com a autoficção

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre reprodução

Sexto livro da escritora caxiense Alessandra Rech, Extradição: a poética dos deslocamentos reúne crônicas que passeiam pelo universo secreto e afetivo da autora. Como num exercício de autoficção, Alessandra elabora experiências como solidão, contemplação e a entrega amorosa em textos carregados de sensibilidade e reveladores da subjetividade de uma mulher que se coloca exposta aos seus momentos mais confidenciais.

“Sempre me expus nos livros, as crônicas falavam muito em memórias, elaborações e vivências minhas. Só que nesse livro me exponho um pouco mais. A ideia não é que as pessoas tentem descobrir o que realmente aconteceu ou não, mas que saibam desfrutar e questionem seus próprios deslocamentos”, comenta a autora, patrona da Feira do Livro de Caxias do Sul em 2021.

Construindo uma narrativa paralela que acrescenta mais camadas à leitura, a obra é acrescida de fotografias que retratam a própria autora numa representação bucólica das emoções femininas. O cenário é uma residência centenária na comunidade rural de Loreto, no interior de Caxias do Sul. O ensaio foi dirigido por Pepe Pessoa e clicado por Antonio Valiente.

Confira abaixo um trecho de Extradição: a poética dos deslocamentos:

Se os encontros podem ser comparados a profundos deslocamentos, paixões a distância, como essa que me fez atravessar um país por uns dias de companheirismo, levam ao extremo essa condição. Fui do Pampa das minhas vastas expectativas ao Sertão da indisponibilidade dele, mas isso eu só entenderia depois.

A primeira etapa foi no meio do caminho: Belo Horizonte, que também pode ser uma expressão de bom augúrio. Na exuberância verde e fértil de Minas Gerais, eu semeava um desejo de amar que ignorava o preço das passagens aéreas, os rumos profissionais e familiares que (com sorte) teriam de ser reinventados e — principalmente — o perfil afetivo de um DJ domiciliado em Recife, com escalas musicais pelo mundo e nenhum romance assumido nas suas redes sociais.

O livro está à venda por R$ 40 na Livraria Do Arco da Velha; 40% da renda será revertida às ações socioeducativas do Serviço de Convivência CAE Ampliando Horizontes, que atende crianças e adolescentes de 6 a 15 anos da comunidade Euzébio Beltrão de Queiroz e arredores, em Caxias do Sul.

Sobre a autora
Natural de Caxias do Sul (RS), Alessandra Rech é jornalista e doutora em Letras – Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista em Epistemologias do Sul pela Clacso, de Buenos Aires. É professora dos cursos de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Letras e Cultura da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Tem dois livros de crônicas publicados: Aguadeiro (2007) e Mirabilia (2014) — este agraciado com o Prêmio Vivita Cartier de Literatura em 2015. É autora, ainda, dos infantis O sumiço do canário: Quando os finais precisam ser inventados (2012) e A insônia dos sabiás (2018), além do ensaio Na Entrada-das-Águas: Amor e liberdade em Guimarães Rosa (2010).

Extradição: a poética dos deslocamentos
Alessandra Rech
88 p.
R$ 40

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