Homenagem carnavalesca em versos

Livro de Fernanda Bastos integra coleção de poetas contemporâneas brasileiras; publicação reúne poemas sobre família, memória e ancestralidade

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre reprodução

Em Selfie-purpurina, novo livro da poeta e jornalista Fernanda Bastos, são visíveis os traços que compõem a poética da autora de Dessa cor (2018) e Eu vou piorar (2020), como a melancolia, a crítica social e a ancestralidade — esta, aqui, ressaltada em função da natureza da obra, que é uma homenagem da autora ao seu avô e ao patrimônio carnavalesco de Porto Alegre. Por isso, em diversos momentos, as fronteiras entre memórias sobre família e episódios que orbitam as Festas de Momo se apresentam nubladas, como num belo, doce e encantador exercício de resgate afetivo.

A nostalgia é o sentimento que conduz a obra ao colocar o leitor dentro do universo familiar e amoroso que a autora explora e apresenta aspectos que ainda podem ser pouco conhecidos por leitores brasileiros sobre a vivência e a cultura negra do Rio Grande do Sul. “Este Selfie-purpurina é um retrato do carnaval gaúcho, suas alegorias e alegrias cantadas por uma filha e neta de sambistas, uma espectadora ilustre nascida em plena folia protagonizada por pessoas lutadoras, trabalhadoras durante o ano inteiro, que fazem planos repetidos para celebrar a novidade do mesmo, pois ‘um carnaval é um carnaval é um carnaval'”, escreve Cidinha da Silva no prefácio.

Confira dois poemas abaixo:

a voz do meu vô – parte I

No tempo em que nasci
Se aprendia mais de África
Na quadra
Do que no curso normal
que eu concluí

credenciais

Aqui nos Silva
qualquer visita
avisava antes de entrar na porta
para qual escola torcia

Selfie-purpurina é uma publicação da Editora Peirópolis e integra a coleção Biblioteca Madrinha Lua de poetas contemporâneas brasileiras. A obra será autografada no dia 16 de julho, sábado, às 16h, na Livraria Baleia (Rua Coronel Fernando Machado, 85 – Centro Histórico – Porto Alegre/RS). No dia 27, às 17h, Fernanda participa de uma leitura de poemas com outras autoras da coleção na Livraria da Tarde (Rua Cônego Eugênio Leite, 956 – Pinheiro – São Paulo/SP).

Sobre a autora
Fernanda Bastos nasceu em Porto Alegre, em 1988, ano do centenário da abolição da escravatura no Brasil. Entre diversos carnavais e selfies-purpurinas, tornou-se jornalista, tradutora e editora de livros. É vegetariana, leitora praticante de June Jordan e cotutora de um cachorro bastante peludo e idoso chamado Dolce. Também é autora dos livros Dessa cor e Eu vou piorar, ambos publicados pela Figura de Linguagem.

Selfie-purpurina
Fernanda Bastos
72 p.
Editora Peirópolis
R$ 48
Comprar aqui (link externo)

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