Minha mãe tem Alzheimer

Livro de Marília Levacov traz relatos sensíveis sobre a experiência de cuidar da mãe diagnosticada com a doença

Edição: Vitor Diel
Foto: Marco Nedeff

Marilia Levacov aposentou-se para cuidar de sua mãe com Alzheimer. Ao longo dos anos que se seguiram, foi fazendo anotações sobre problemas cotidianos, situações engraçadas e algumas reflexões sobre a doença, seu impacto no paciente, nos cuidadores e na família. Este é um tópico atual e importante. Minha Mãe Tem Alzheimer: Crônicas não é um livro técnico e tampouco um livro triste. Mostra os problemas que vão surgindo no decorrer da doença e algumas maneiras de lidar com eles. Levacov gostaria de ter podido ler algo assim quando começou sua jornada de cuidadora.

“Marília nos apresenta uma coleção de crônicas, repletas de sensibilidade, que ilustram o cotidiano de uma filha amorosa acompanhando a mãe em seu processo de perda gradual da memória e de outras capacidades físicas. Por mais doloroso que isso tenha sido, ela consegue extrair dessa jornada motivos para rir, refletir e fazer o leitor se emocionar com seus relatos. Chama a atenção a sinceridade com que a autora expõe situações vividas em família, não escondendo que, por mais que ela e o pai tentassem manter a leveza, o bom humor e o carinho, na convivência com uma pessoa com Alzheimer há momentos de cansaço, tristeza, desesperança e impaciência”, comenta a gerontóloga Guite I. Zimerman no posfácio.

De acordo com a Abraz – Associação Brasileira de Alzheimer, estima-se que exista, em 2026, no Brasil, de 1,2 a 1,8 milhão de pacientes diagnosticados com a doença, que é a forma mais comum de demência. O Alzheimer afeta não apenas o paciente, mas também o entorno, gerando um grande impacto físico, emocional e financeiro.

“Enveredando pelo esquecimento e pela confusão mental progressiva, o paciente vai perdendo a noção de quem são as pessoas que o rodeiam, de onde está e até de quem ele próprio foi e é. Sua identidade, dizem, é construída agora por sensações de seu corpo e por emoções causadas por sorrisos, pelo toque, pelos cheiros, pela música e pelo tato. Tentei registrar nos capítulos deste livro, ainda que fora de ordem talvez, alguns instantâneos de parte desta jornada, na interação progressivamente difícil e triste com minha mãe, assistindo impotente ao seu declínio cognitivo e físico”, explica a autora.

O livro terá lançamento no sábado, 5 de setembro, às 15 horas na Casa Alice (Rua Olavo Bilac, 188 – Cidade Baixa, Porto Alegre/RS) dentro do encontro do projeto Literatura na Porta Vermelha. O evento, que contará com uma roda de conversa com a autora Marília Levacov, é uma promoção da Libretos Editora, MOVER – Movimento da Velharada Rebelde e Alice – Agência para Livre Informação.

Sobre a autora
Marília Levacov estudou Línguas Clássicas na UFRGS. Depois de dois filhos e vários cães, gatos, peixes, coelhos, hamsters, foi lecionar Literatura no Colégio de Aplicação da UFRGS e descobriu outros códigos, em especial os dos computadores. Fez mestrado e doutorado na área, em Cambridge e em Boston. Voltou e lecionou na UFRGS (na graduação e no mestrado) em diferentes cursos e áreas, simultaneamente, mas principalmente na Fabico (para publicitários, jornalistas, bibliotecários e documentalistas), onde também coordenou um Laboratório de Arte Eletrônica e Design, além de coordenar o Centro de Informações em Ciência & Tecnologia do Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados. Era conhecida como professora Levadog, porque levou sua cachorra labradora amarela, Ana Banana, junto, diariamente e por 12 anos, em suas aulas e demais atividades. Aposentou-se em 2008 para cuidar de sua mãe.

Minha Mãe Tem Alzheimer: Crônicas
Marília Levacov
96 p.
R$ 48
Libretos Editora

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