Airton Cattani recria a aventura migratória de seus bisavós, imigrantes italianos
Edição: Vitor Diel
Fotos: Divulgação
Há exatos 150 anos, em 3 de setembro de 1876, o casal Orsola Callovi e Francesco Cattani chegava ao porto do Rio de Janeiro, encerrando a longa travessia oceânica e iniciando uma nova etapa de sua história familiar em terras brasileiras. A jornada que transformaria para sempre o destino da família e de seus descendentes inspira Os (quase) verdadeiros diários de um casal de imigrantes, novo livro de Airton Cattani.
A obra ficcional constrói um enredo emocionante sobre coragem, perdas, esperança e recomeços. Para marcar esta data, o autor promove uma sessão de autógrafos no dia 3 de setembro, às 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, em Porto Alegre. “Sem diários verdadeiros, criei uma narrativa sustentada por sólida pesquisa histórica e pela memória familiar, oferecendo voz a personagens que representam milhares de imigrantes anônimos”, completa o autor. Longe de uma visão heroica ou romantizada, a obra humaniza seus protagonistas e revela a dimensão íntima de uma das maiores correntes migratórias da história brasileira.
Pesquisa, memória e ficção
Mais do que reconstruir fatos históricos, Airton Cattani procura imaginar aquilo que os documentos nunca registraram: os sentimentos, os medos e os sonhos de um jovem casal de agricultores que deixou a pequena vila de Termon, no então Império Austro-Húngaro, em busca de uma vida melhor em um lugar que eles nem sabiam onde seria. Alternando os relatos de Orsola e Francesco, o romance apresenta um hipotético cotidiano marcado pela pobreza, pela fé, pelas incertezas e pelas difíceis decisões que antecederam a imigração, o período da viagem e o ano seguinte à sua chegada.
Além de uma homenagem aos bisavós do autor, o livro reverencia todos aqueles que cruzaram o oceano em busca de um futuro melhor e ajudaram a construir a identidade da Serra Gaúcha e de tantas outras regiões do país. “A história dessa família encontra eco nas grandes correntes migratórias que ainda hoje atravessam o mundo. As migrações atuais certamente também contribuirão para transformar as sociedades que hoje as recebem”, completa.
Sobre o autor
Airton Cattani é natural de Garibaldi. É arquiteto, professor titular do Curso de Design da Faculdade de Arquitetura da UFRGS. Além da carreira acadêmica, desenvolve intensa produção como autor de livros de artista, pesquisador e curador de exposições que articulam design, fotografia, arquitetura, memória e patrimônio. É autor de obras como Olhe por onde você anda: calçadas de Porto Alegre, Calçadas de Porto Alegre e Beijing, Olhando para cima e para baixo no Wangjing Soho, Uma Cidade Abstrata a Seus Pés, 12 Visões do Paraíso, Poema das Quatro Palavras — vencedor do Prêmio Açorianos de Projeto Gráfico — e 40 Microcontos Experimentais, distinguido com os prêmios Jabuti e Açorianos de Projeto Gráfico. Sua produção também se destaca pelas exposições realizadas em diferentes cidades. Em parceria com a arquiteta Ana Cattani, criou o projeto TEMPO, que reuniu livro e exposição fotográfica apresentados em Porto Alegre, Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Pelotas, Novo Hamburgo e Maringá, além de Montevidéu, no Uruguai. Também desenvolveu exposições vinculadas às obras Calçadas de Porto Alegre e Beijing e a outros livros de artista, consolidando uma trajetória marcada pelo diálogo entre literatura, artes visuais e design editorial.

Os (quase) verdadeiros diários de um casal de imigrantes
Airton Cattani
192 p.
R$ 60
Editora Marcavisual
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