Brenda Vidal reivindica a subjetividade da mulher negra em livro de estreia

Edição: Vitor Diel com texto da assessoria
Arte: Giovani Urio sobre foto de Iasmin Schleder

Uma vontade de escrever que pinicava feito coceira das brabas. Foi essa urgência que fez a jornalista gaúcha Brenda Vidal perceber que as linhas que escrevia queriam ultrapassar as margens do jornalismo e se enveredar pelos caminhos da poesia. Buscou então a ex-professora de Redação da época de cursinho, a doutora em Literatura e membra do projeto educacional Fora da Asa – Experiências Plurais, Camila Alexandrini. O único reencontro presencial foi em março deste ano, na semana anterior ao isolamento social vigorar na cidade de Porto Alegre. Do processo de escrita criativa por encontros on-line, um livro surgiu: Sujeita, obra de estreia de Brenda Vidal e que será lançada no dia 4 de dezembro, às 20h, pelo YouTube (link externo), em uma live com a autora, a produtora executiva e fundadora do selo Todas Escrevemos Camila Alexandrini e com a realizadora do projeto gráfico do livro, fotógrafa e também fundadora da Todas Escrevemos Iasmin Schleder.

A primeira tiragem da obra disponibiliza uma tabela de preços a partir de R$ 35 para o público geral, além de pôster brinde com ilustração exclusiva para os que contribuírem com o valor máximo. Haverá um preço social de R$ 30, pelo qual apenas pessoas negras e/ou trans podem optar. Nas palavras da Isadora Silva, escritora baiana que assina o prefácio da obra, “Sujeita é sussurro, grito e gemido, uma leitura que te transforma”.

O livro está à venda pelo Instagram, nos perfis @todasescrevemos e @blfv_. Confira abaixo o poema que dá título à obra.

Sujeita

Crescer estando sujeita,
mas sem a permissão
de ser sujeita.

Estar sujeita aos nãos
de ser mulher,
de ser pobre,
de ser negra.
Uma tela preta
na qual insistem
[en]cobrir
com projeções
do racismo genderizado,
do patriarcado branco,
da heterossexualidade compulsória.

Não estou sujeita à humanidade.
Estou sujeita àquilo que quer
me cristalizar,
me conformar,
me sujeitar,
me proibir de ser sujeita.

Estou sujeita,
mas reivindico ser sujeita.
Sou sujeita do meu destino.
Teimosa, insurgente,
determinada, urgente,
subo
sem que me deem permissão,
movo as estruturas,
and still I rise – Maya Angelou que me disse.

Sou sujeita.
De intersecções:
abrigo so
la
van
cos
sem deixar de deslizar.
Vertiginosa no meu linear.
Não maldigo o choro
que se põe para fora,
assim como abençoo
a água que se bebe
e que me molha
do lado de dentro.

Umidificando
e transbordando.
Sou sujeita –
aceita!

Sobre a autora
Brenda Vidal, 24 anos, é jornalista de formação e escritora de experimentação. Nascida e criada no Sarandi, bairro periférico de Porto Alegre, graduou-se em jornalismo pela UFRGS e atua no jornalismo cultural, com passagens pela revista TAG Livros, além de ser repórter musical do site e revista NOIZE.

Sobre Todas Escrevemos
Nascida enquanto uma convocatória destinada à escrita de autoria de mulheres de Porto Alegre, a iniciativa deu corpo a um site (link externo) que publicou a produção de 160 mulheres da capital gaúcha. Agora, se lança enquanto selo literário independente, tendo Sujeita como obra inaugural.

Sujeita
Brenda Vidal
Poemas
90 p.
11,4 x 17,6 cm
R$ 35
Todas Escrevemos

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