Dante Alighieri inspira projeto grandioso com Vagner Cunha e José Clemente Pozenato

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre foto de Gilberto Perin

Conhecido internacionalmente pelo romance que deu origem ao filme homônimo O Quatrilho, José Clemente Pozenato prepara para setembro o lançamento de Inferno, sua ambiciosa tradução de A Divina Comédia, de Dante Alighieri. O livro, cuja editora ainda não foi divulgada, terá seu lançamento em paralelo à estreia do musical O Inferno de Dante, do compositor gaúcho Vagner Cunha, obra em três atos composta para orquestra e coral. O projeto nasceu após provocação do empresário e diretor geral da Bell’Anima Produções, Claudio Carrara. Não é a primeira vez que a dupla Pozenato e Cunha reúne esforços em torno de um espetáculo: entre 2018 e 2019, a Ópera O Quatrilho reuniu quase dez mil pessoal em diversos palcos do Rio Grande do Sul.

Este ano, vê-se a celebração mundial dos 700 anos do poeta canônico através do programa Dante 700 nel Mondo, promovido pelo governo italiano em colaboração com institutos culturais e consulados em muitos países.

Sobre os desafios do trabalho de tradução do épico, Pozenato fala: “O maior desafio, sem dúvida, é captar as intenções do poeta: o que é que ele quis dizer ao leitor? E Dante fala mais de uma vez com o leitor ao longo do poema, dando explicações. Outro desafio é encontrar a sonoridade que Dante utilizou. E para isso, as rimas são fundamentais. Nem sempre é fácil achar rimas boas!”, explica o autor, que compara o trabalho de tradução ao de um “escavador de mina”: “Há passagens macias, outras duras: não dá para fazer cronograma prévio”, argumenta.

Pozenato afirma que a única pesquisa auxiliar feita no processo de tradução foi para confrontar as traduções existentes: “Dá para ver achados, mas principalmente ‘furos’. Respeito as observações do poeta Dante Milano, que traduziu três cantos do Inferno: ‘Dante não busca a elegância de estilo’, mas ‘o calor humano’. As traduções existentes buscam um tom rebuscado, que nunca foi a intenção de Dante. Nele a linguagem é direta e acessível. É o que se vai buscar nesta nova tradução: um texto para os dias de hoje, para ser lido e sentido, não apenas interrogado”, completa o tradutor.

As próximas novidades do lançamento serão feitas em junho, quando será celebrado, com o apoio do Consulado Geral da Itália em Porto Alegre e financiamento da Lei Aldir Blanc, um sarau especial on-line intitulado A Divina Comédia: antídoto humanista em tempos de tragédia, evento que contará com mesa-redonda e presença remota de especialistas na obra de Dante, além de uma prévia da música de Vagner Cunha. O projeto contempla ainda um pacote pedagógico digital a ser distribuído gratuitamente nas escolas gaúchas, que terão acesso gratuito ao canto introdutório da obra, ilustrado pelo gaúcho Cris Oliveira e comentado pelo teólogo, poeta, crítico de arte e ensaísta Armindo Trevisan.

Sobre o autor e tradutor
José Clemente Pozenato nasceu em São Francisco de Paula, na localidade de Santa Teresa, em 1938. Aos doze anos foi para Caxias do Sul, onde fez o ginásio e o secundário. Fixou-se em definitivo nessa cidade em 1966, como professor de Literatura Brasileira na Universidade de Caxias do Sul. É doutor em Letras pela PUCRS. Iniciou a carreira literária em 1967, participando da coletânea de poesia Matrícula, com os poetas Oscar Bertholdo, Jayme Paviani e Ary Trentin. Em poesia publicou ainda: Vária Figura, Carta de viagem, Meridiano Cànti rùsteghi (Cantos rústicos).  Mapa de viagem é o título de sua poesia reunida, editada no ano de 2000. Em 1974 publicou o ensaio O regional e o universal na literatura gaúcha, premiado pelo Instituto Estadual do Livro do Rio Grande do Sul, com prefácio de Guilhermino César, seguindo-se a ele outros ensaios sobre literatura, publicados em revistas e jornais. Em 1985 iniciou a carreira de ficcionista, com a publicação da novela policial O caso do martelo, adaptada para a televisão, e do romance O quatrilho, uma narrativa centrada na primeira geração de filhos de imigrantes italianos no Sul do Brasil. O romance foi levado ao cinema em filme dirigido por Fábio Barreto e concorrente ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1996. Em 1989 publicou a novela policial O caso do loteamento clandestino e no mesmo gênero, O caso do e-mail, em 2000 e O caso da caçada de perdiz, em 2008. Também em 2000 lançou o romance A cocanha, com a saga inicial dos personagens de O quatrilho. Em 2006 publicou A babilônia, que encerra a trilogia da imigração italiana. Na categoria do conto publicou, em 1998, O Limpador de fogões. Publicou, em 1999, uma coletânea de crônicas com o título de Conversa solta. É autor também de literatura infantil, com as obras O jacaré da lagoa, de 1991, e Pisca-tudo, publicado em 2001. Teve sua novela O caso do martelo, publicada em 2001 em Montevidéu, em tradução de Pablo Rocca, com o título de El caso del martillo. Esta obra foi também publicada em italiano em 2004, com o título de Il caso del martello. Na atividade pública, integrou o Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural de Caxias do Sul e, por duas vezes, o Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul. Foi também Secretário de Cultura de Caxias do Sul, em 2006. Coordenou o curso de mestrado em Letras e criou o doutorado em Letras da Universidade de Caxias do Sul. Recebeu o título de cidadão caxiense em 1991 e foi eleito Personalidade do Livro, pela Câmara Rio-Grandense do Livro, em 1995. É membro da Academia Sul-Brasileira de Letras e da Academia Rio-Grandense de Letras, ocupando a cadeira 34. Em 2007 recebeu o título de Cavaliere na Ordem do Mérito da República Italiana.

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