Plataforma Sons do Sul apresenta biblioteca sonora com sete línguas faladas no RS

Projeto realiza uma cartografia linguística ao trazer entrevistas em áudio e vídeos com falantes dos idiomas

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre foto de Desirée Ferreira/Agência Riobaldo

De quantas línguas diferentes se faz o Rio Grande do Sul? A partir do dia 6 de setembro, o projeto Sons do Sul – uma cartografia linguística apresenta um mapeamento sonoro de sete línguas faladas no Rio Grande do Sul: Língua Pomerana, Talian, Japonês, Polonês, Guarani, Kaingang e Iorubá. A iniciativa será lançada em um bate-papo online no site oficial (link externo), às 19h, com a participação da professora de Talian Maria Inês Chilanti e do agente cultural nigeriano e falante de Iorubá Kayzee Fashola, ambos integrantes do Colegiado Setorial de Diversidade Linguística do RS.

Através de uma biblioteca interativa de sons, a plataforma permite que os visitantes tenham contato com falantes de diferentes idiomas, além da tradução em português. Já a área de vídeos do site traz entrevistas bilíngues, de modo a contextualizar a presença das línguas nas respectivas comunidades. O projeto é uma iniciativa da Riobaldo Conteúdo Cultural e foi realizado através do Edital Criação e Formação Diversidade das Culturas, com recursos da Lei nº 14.017/20 (Lei Aldir Blanc).

Kayzee Fashola, falante de Yorùbá. Fotos: Desirée Ferreira/Agência Riobaldo

A plataforma é o resultado de uma pesquisa jornalística-cultural realizada com falantes dos idiomas em diversas cidades do Rio Grande do Sul, como Casca, São Lourenço do Sul e Ivoti. A narrativa foca nos modos de vida e na centralidade de cada língua na cultura que envolve os entrevistados. Desta forma, entram em cena falantes como a professora da colônia japonesa de Ivoti, Iaioi Tao, a agricultora familiar Odília, que fala Talian desde criança em Antonio Prado, e a artesã Mbyá-Guarani Viviana Patrícia, moradora da aldeia do Cantagalo, em Viamão.

A diversidade linguística do Brasil é um elemento essencial no mosaico de manifestações populares e do patrimônio cultural imaterial do país. O último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, revelou que há 274 línguas indígenas faladas em território brasileiro, isso sem contar as línguas crioulas, de imigração e afro-brasileiras também presentes no Brasil.

Iaioi Tao, professora de japonês de Ivoti

No entanto, essa diversidade corre perigo, como mostra um relatório da Unesco publicado em 2016. Segundo o estudo, das cerca de 6.700 línguas faladas no mundo, 50% estão ameaçadas de desaparecer até o final deste século. Instrumentos de políticas públicas de cultura são essenciais não apenas para salvaguardar e manter essas línguas como também para proteger em especial as culturas dos grupos sociais minoritários, na medida em que, segundo o Guia de Pesquisa e Documentação do Inventário Nacional de Diversidade Linguística (Iphan, 2016), “se encontram em posição de maior vulnerabilidade linguística.”

Sons do Sul parte da iniciativa de pesquisadores e trabalhadores da cultura residentes no Rio Grande do Sul, motivados pela diversidade e pela riqueza do patrimônio cultural do Brasil. O projeto tem o objetivo de contribuir para a visibilidade dessas línguas, de modo a inspirar que cada vez mais falantes e agentes culturais se voltem para a valorização do plurilinguismo.

Eric, falante de Talian

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