Melancolia à espreita

Romance de Antônio Xerxenesky aborda o universo da psiquiatria na Europa do pós-Guerra

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre foto de Renato Parada/Divulgação

Nicolas, um jovem psiquiatra francês, é convidado para trabalhar na Suíça logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Junto da esposa Anna, ele se muda para um pequeno vilarejo, próximo ao hospital psiquiátrico onde vai trabalhar. O lugar, conhecido por seus métodos humanizados de tratamento, recebe internos de toda a Europa.

Resistindo a prescrever tratamentos como o eletrochoque, Nicolas conversa com seus pacientes até que algo seja descoberto – tanto no inconsciente do doente quanto no do próprio médico. Assim, diversas feridas de guerra vêm à tona, em um jogo delicado que mistura confiança e loucura.

Tendo como pano de fundo o contexto de desenvolvimento das primeiras drogas contra a depressão e outras doenças psíquicas, Antônio Xerxenesky constrói, em Uma tristeza infinita, um romance tocante sobre os traumas, o passado e a possibilidade de ser feliz apesar do sofrimento.

Uma tristeza infinita dá ao leitor de Antônio Xerxenesky a impressão de que ele vinha se preparando desde sempre para escrever este romance. Depois de incursões por diversos gêneros narrativos, ele nos brinda com sua obra mais densa e angustiante, um romance de ideias gelado e cristalino como os alpes suíços que o emolduram, no qual um jovem psiquiatra confronta os demônios da culpa histórica e busca conciliar seu materialismo com uma espiritualidade que avança como um espectro surgido da floresta. Saímos do livro com a sensação de que a tristeza é, na verdade quase infinita. No embate entre o caos da vida e o intelecto, surgem, no fim das contas, as centelhas da transcendência e do afeto”, escreve Daniel Galera.

Confira um trecho abaixo.

Nicolas tinha acabado de estabelecer um consultório psi quiátrico em Vichy, exercia a profissão havia pouco tempo, mas já começava a estreitar laços com psiquiatras suíços por corres pondência, o que facilitou depois seu traslado para a nova clínica no vilarejo.

Um colega o convidou para uma visita a Genebra, e foi lá que conheceu Thomas. E, de fato, Nicolas ajudou Thomas, forçou-o a reviver seu trauma, a dispô-lo à vista de tudo e todos. O sofrimento do sobrevivente, a culpa, tudo isso veio à tona em choros nervosos. O rapaz voltou para a casa dos pais, seu lar suíço, arranjou um emprego como carteiro e tentou se manter o mais distante possível de qualquer combate. Nicolas retornou para Vichy. Anos depois, soube que Thomas tirara a própria vida, enforcamento, em 1944.

Uma tristeza infinita tem preço de R$ 64,90 em formato impresso e é publicado pela Companhia das Letras.

Sobre o autor
Antônio Xerxenesky nasceu em 1984, em Porto Alegre, e radicou-se em São Paulo. Escritor e tradutor, é autor de, entre outros, As perguntas (Companhia das Letras, 2017). Foi escritor residente do International Writing Program, na Universidade de Iowa (Estados Unidos), em 2015, e da Fondation Jan Michalski, em Montricher (Suíça), em 2017. Sua obra foi traduzida para os idiomas francês, espanhol, italiano e árabe.

Uma tristeza infinita
Antônio Xerxenesky
256 p.
R$ 64,90
Companhia das Letras
Compre aqui (link externo)

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