O futuro das redes

“É possível imaginar que trabalhadores do Vale do Silício já estejam organizados em busca de novas soluções de redes sociais que, a princípio, sejam dedicadas às realidades dos usuários e das comunidades”

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre reprodução

Como muitos de nosso seguidores já sabem, Literatura RS nasceu em dezembro de 2014 como uma página do Facebook com a proposta de organizar a divulgação de lançamentos de livros, eventos e projetos literários do Rio Grande do Sul e que, até então, dispersavam-se na rede social. Na época, as dinâmicas das social media não estavam submetidas à ditadura dos algoritmos que temos hoje — era muito fácil construir uma comunidade na rede; um conteúdo facilmente alcançava centenas de compartilhamentos e interações. Como resultado, a página alcançou rapidamente milhares de seguidores, ampliando a visibilidade sobre o trabalho de profissionais e empresas da área editorial gaúcha, esforço este que foi reconhecido com um Prêmio Açorianos de Literatura em 2016.

Com o passar dos anos, produção de conteúdo para rede social tornou-se um campo disputado por grandes marcas, exigindo novas demandas sobre os trabalhadores dessa nova profissão. Esta — até então — nova realidade das redes lançou novos desafios para projetos culturais como LRS, que passaram a encontrar inúmeras barreiras na disseminação de seu conteúdo.

“Interrogatório do CEO Shou Zi Chew evidenciou o fracasso dos legisladores dos EUA em aprovar leis de privacidade”, escreve a Wired. Reprodução

O primeiro semestre de 2023 chega ao fim após termos testemunhado inúmeras movimentações no Vale do Silício, com milhares de demissões em empresas do ramo das redes sociais, após a crise de credibilidade com o escândalo da Cambridge Analytica e a bonança que a pandemia trouxe ao setor. Os investimentos equivocados de Mark Zuckerberg sobre o Metaverso, a incompetência de Elon Musk na gestão do Twitter e a insistente tentativa de criminalização do aplicativo chinês TikTok pelo Congresso dos Estados Unidos revelam que o mercado de rede social está longe de uma consolidação em termos de possibilidades. Por isso, é possível imaginar que trabalhadores do Vale do Silício já estejam organizados em busca de novas soluções de redes sociais que, a princípio, sejam dedicadas às realidades dos usuários e das comunidades.

Nós resgatamos este histórico agora, e aventamos novos horizontes, porque acreditamos que é fundamental estarmos atentos às movimentações das empresas de redes sociais e tecnologias porque os projetos que elas criam, modificam e encerram afetam diretamente o trabalho de quem produz cultura e conta com as redes para alcançar seu público.

“Meta, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, anuncia planos para cortar 10 mil empregos”, noticia a BBC. Reprodução

Literatura RS permanece atento às novas revoluções que estão por vir, com novas tecnologias e plataformas que produzam outras possibilidades de contato, porque esses novos serviços que provavelmente surgirão neste e nos próximos anos podem redefinir a maneira de nos comunicarmos e de continuarmos a potencializar a cadeia produtiva do livro no Rio Grande do Sul, aproximando escritores e leitores.

Por enquanto, fica o convite para uma reflexão sobre o futuro das redes e sobre a tensão que pode haver entre as demandas dos usuários e os interesses de investidores e dos proprietários dos meios de produção.

Vitor Diel, jornalista e editor de Literatura RS

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