A cidade que cabia no olhar

Delalves Costa autografa na Bienal do Livro de São Paulo no fim de semana

Edição: Vitor Diel
Foto: Divulgação

A literatura produzida no Litoral Norte do Rio Grande do Sul ganha espaço na Bienal do Livro de São Paulo. Nos dias 11 e 12 de setembro, às 15h, o escritor gaúcho Delalves Costa estará no evento para autografar A cidade que cabia no olhar, sua mais recente obra infantojuvenil, publicada pela Editora Coralina. Mais do que uma história sobre crianças, o livro propõe uma reflexão sobre a cidade que construímos e, principalmente, sobre aquela que ainda podemos construir. Antônio, menino sensível, criativo e atento aos detalhes, enxerga o mundo por uma perspectiva que muitas vezes escapa aos adultos. Ao lado dos amigos Akin e Pedroca, transforma ruas, praças e quintais em territórios de brincadeira, aventura e descoberta.

A inquietação surge quando o protagonista Antônio percebe os efeitos das enchentes, a ausência de áreas verdes e o excesso de concreto e cinza na paisagem urbana. Diante desse cenário, ele propõe aos amigos uma missão aparentemente simples, mas carregada de significado: construir, com papelão e imaginação, uma cidade sustentável, pensada para crianças, idosos, animais e para a própria natureza. A maquete, inicialmente concebida como uma brincadeira, transforma-se em instrumento de diálogo com a comunidade. Ao longo da narrativa, os personagens descobrem que construir coletivamente também significa aprender a ouvir, negociar, ceder, cooperar e respeitar diferentes perspectivas. A obra, assim, ultrapassa a aventura infantojuvenil e apresenta uma delicada reflexão sobre cidadania, pertencimento e participação.

Com linguagem poética e sensível, A cidade que cabia no olhar reafirma uma característica marcante da produção de Delalves Costa: a capacidade de abordar questões contemporâneas a partir do universo da infância e juventude sem subestimar o leitor. O autor transforma problemas como sustentabilidade, urbanização, inclusão e convivência em matéria literária, preservando o encanto, a imaginação e a potência do brincar.

Um autor entre a literatura e a educação

Natural de Osório (RS), Delalves Costa é escritor, poeta, contista, professor, palestrante e pesquisador. Autor de 17 livros, sua produção transita pela poesia, prosa e literatura infantil e infantojuvenil, reunindo lirismo, memória, crítica social e reflexão sobre o mundo contemporâneo. Entre suas obras estão Ininterruptos, choremos ruas dentro dos ossos (finalista do Prêmio da Academia Rio-Grandense de Letras em 2021, com apresentação do poeta gaúcho Carlos Nejar), MidiaserávelExtemporâneoO Apanhador de EstrelasÓculos de princesaOnde mora o bicho papão e Mar, doce mar, obra que também ganhou um documentário.

Sua escrita já recebeu atenção crítica, incluindo os estudos O hermético na poesia de Delalves Costa e A literatura social de Delalves Costa, ambos do professor e crítico literário Eduardo Jablonski. Outros resenhistas e ensaistas também escreveram sobre os livros do autor, incluindo o poeta e membro da Academia Brasileira de Letras Carlos Nejar, que já destacou seu nome entre representantes da nova geração da poesia gaúcha.

Mestre em Educação pela UERGS e licenciado em Letras pela Unicnec, Delalves atua como coordenador editorial da Editora Coralina e como professor na Rede Municipal de Ensino de Osório, coordenando projetos lítero-pedagógicos, em destaque o de leitura “Ler é uma viagem sem volta” e o de escrita criativa “Escrevivências” – um concurso lietrário de conto, poesia, frase e desenho que se transforma em uma linda edição de livro. No ativismo cultural e educacional, é membro do Conselho de Cultura de Osório, membro do Grupo Intersetorial Cidade das Crianças e sócio-fundador e membro honorário da Academia dos Escritores do Litoral Norte do RS.

Sua presença na Bienal do Livro de São Paulo representa, portanto, não apenas a divulgação de uma nova obra, mas a projeção nacional de uma trajetória construída na confluência entre literatura, educação, infância e compromisso social. Em A cidade que cabia no olhar, Delalves Costa convida o leitor a perceber que transformar uma cidade pode começar por algo aparentemente pequeno: aprender a olhar para ela com outros olhos.

A cidade que cabia no olhar
Delalves Costa
28 p.
R$ 49
Editora Coralina
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