Reflexões sobre liberdade e solidariedade em exposição e livro de Maria Tomaselli

A partir de experiências de cárcere de uns 40 anos atrás no presídio central, quando acompanhava Iberê Camargo em suas aulas de pintura para apenados (que ela prosseguiu sozinha após o retorno de Iberê ao Rio), Maria Tomaselli foi inoculada por uma empatia, uma compaixão para com essa população que teve a desgraça de se envolver – ou ser envolvida – em algo ilícito.

Uma viagem de ônibus de uma hora ao lado de um ser que precisou contar sua história para um desconhecido foi o que precisou para ela escrever essa história romanceada, fictícia, mas verdadeira. A narrativa mostra Azelene, presidiária em regime semiaberto aceita para trabalhar em uma casa de classe média, como um conjunto das percepções que a patroa Karolline tem sobre ela.

Reprodução

No prefácio de ela se chama Azelene (Libretos, 232 páginas), o músico e escritor Arnaldo Sisson observa o ritmo da autora: “Maria Tomaselli escreve como quem filma, fotografa, pinta frações da realidade que ouve, vê, fala e que, afinal, motivam o que sente”. E prossegue na análise: “(…) Azelene foi colocada numa outra realidade onde já não faz diferença se é culpada ou inocente. Há mais muros dentro de uma prisão do que simplesmente as muralhas que a cercam. (…) o livro se torna também um manifesto de perplexidade frente a um contexto social incoerente e hipócrita. Uma farsa que destrói pessoas sob o pretexto de reconstruí-las.”

O livro é ilustrado com as gravuras da série Voos abortados, inspirada numa cena transcorrida no ateliê da artista. Um feto de passarinho caído no parapeito da janela, um “pássaro abatido tal quais os meninos nas periferias” moveu Tomaselli a produzir um ciclo de pinturas e gravuras em metal.

A abertura da exposição Voos abortados e o lançamento do livro ela se chama Azelene acontece no sábado, 6 de julho, às 11 horas, na Galeria Gestual (Av. Cel. Lucas de Oliveira, 21, Porto Alegre/RS). O livro também apresenta fragmentos do escritor Fernando Cacciatore de Garcia.

Sobre a autora
Maria Tomaselli é artista plástica. De vez em quando se aventura na escrita. Ela se chama Azelene é seu terceiro livro. Já escreveu Vito (contos, Escritos, 2017) e Kai (memórias, Escritos, 2014). Nesta obra, ela apresenta também gravuras em metal nas técnicas água-tinta e água-forte, do ciclo Voos Abortados.

ela se chama Azelene
Romance
Maria Tomaselli
232 pp.
12 cm x 17 cm
978-85-5549-045-3
R$40
Editora Libretos

Da assessoria

Literatura RS

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