Minha rotina: Eliane Marques

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre foto de divulgação

Eliane Marques é um dos nomes mais elogiados da poesia contemporânea do Rio Grande do Sul. Vencedora de um Prêmio Açorianos de Literatura em 2016 por e se alguém o pano, mantém uma atuação compromissada em distintas frentes de trabalho. Além de escritora, é coordenadora da Escola de Poesia, tradutora, coordenadora editorial da revista de poesia Ovo da Ema e da revista de psicanálise e cultura Anna. O. Graduada em Pedagogia e Direito; Mestre em Direito Público; Especialista em Constituição, Política e Economia, organiza e ministra cursos e trabalha como Auditora Pública Externa do Tribunal de Contas do Estado do RS. Dedica-se a potencializar os talentos ao seu redor, com especial atenção à literatura de autoria negra.

Convidada desta edição da série Minha rotina, Eliane permite-nos uma breve espiada em seus processos de criação e de trabalho, compartilhando conosco os desafios de conciliar tantos aspectos diferentes da mesma pessoa. Boa leitura!

Você tem uma rotina para escrita? Você escreve diariamente?
Sim, tenho uma rotina diária para a escrita, o que não significa que eu sempre a observe. Acordo com o computador ligado, pois tenho que cumprir os deveres do meu ganha-pão que é o trabalho como Auditora no Tribunal de Contas. Após fechar esses arquivos, limpo a casa, lavo roupas … sou obsessiva com limpeza, provavelmente alguma culpa que eu queira expiar. Depois me sinto à vontade para abrir os arquivos de poemas, que ocupam as sobras do dia e praticamente a noite toda, quer com a tentativa de produzi-los, quer lendo algum poemário ou mito da tradição de matriz africana, quer traduzindo textos para o projeto orisun oro.

Você elabora algum planejamento para a produção dos seus livros?
No campo do poema, não elaboro planejamento nenhum, o que me conduz é um questionamento ritmado. O planejamento surge depois dos poemas. No campo dos ensaios, planejo os temas, separo alguma bibliografia, mas dificilmente consigo cumprir. Quanto à prosa, sigo um planejamento de “associação livre”. Já na função de editora é tudo muito planejado até porque existem várias pessoas envolvidas no trabalho. Começo com a leitura e a discussão do livro a ser publicado com a autora/autor e termino com a distribuição, um problema para as editoras não tradicionais.

Eliane Marques/acervo pessoal

O que você faz para distrair-se do trabalho da escrita?
Não gosto de me distrair do trabalho de escrita, até fico com raiva quando alguém me pede para fazer outra coisa, já que o tempo que posso me dedicar à escrita é pouco comparado às minhas expectativas. Tenho que me dividir entre o trabalho como servidora pública, como coordenadora da Escola de Poesia, que envolve dar aulas, além de toda a chatice burocrática, e o trabalho como psicanalista, em especial, voltada para as subjetividades que se constroem como “negras” ou “pretas”. Assim, praticamente forçada, vejo um filme ou leio. Ah, também tento me animar para fazer exercícios físicos em casa.

Qual plataforma ou editor de texto você utiliza para escrever? Por quê? E como organiza os arquivos?
Eu utilizo Office/Word porque me é mais simples e, sinceramente, nunca fui procurar outra plataforma ou editor. Os arquivos recebem nomes como “poemas próximo livro”, ou “poemas avulsos” … conforme o texto vai se direcionando para algo mais específico, altero o nome do arquivo. Se quero mandar o texto para alguém, geralmente acrescento o nome da destinatária, como “poço das marianas” – aline.

O que um escritor precisa para escrever?
Uma escritora precisa querer escrever. Nesse passo, a antecede uma autorização subjetiva que nem o mercado editorial, nem os grandes e reconhecidos nomes e nem os “likes” no Facebook poderão fazê-lo. No que chamo de autorização subjetiva se inclui um espaço tempo-geográfico para que o corpo se desacomode do estranhamento produzido pela ação inicial de escrever. Além disso, há um requisito fundante que diz respeito à possibilidade de se ganhar algum dinheiro destinado à sobrevivência material.

O que você está escrevendo no momento?
Louças da família, nome provisório para uma narrativa longa, meu próximo livro depois de o poço das marianas, que está a caminho.

e se alguém o pano (Prêmio Açorianos de Literatura 2016 na categoria poema)
Eliane Marques
Poesia
104 p.
Escola de Poesia
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