Poemas de um eu profundo

Edição: Vitor Diel sobre texto da assessoria
Arte: Giovani Urio

Sabrina Dalbelo se revelou para o público com a sua primeira obra poética Baseado em Pessoas Reais, onde se dedicou a transformar personalidades em metáforas. Em 2018, surge Lente de Aumento para Coisas Grandes, obra em que faz o exercício de trazer o foco para o detalhe e a importância do cotidiano, para a importância do simples. De lá para cá Sabrina também se aventurou no conto participando de duas coletâneas do gênero fantástico, A Casa Fantástica, com o conto O Homem Oco, e Planeta Fantástico, com A Varanda, além de outras obras coletivas que retratam o feminino, como em Quem dera o sangue fosse só da menstruação.

Agora, no fim de 2020, lança sua mais nova obra poética, rasga-ossos. Aqui, a autora se mostra mais à vontade para encarar e falar sobre seus medos, derrotas, beiras de abismo, assombros e reflexões. A tessitura poética de rasga-ossos foi escrita para assombrar, para causar estranhamento. O livro está em pré-venda pelo site da Editora Penalux (link externo).

Sabrina Dalbelo iniciou sua formação poética quando seus olhos se deparam com uma antologia de Fernando Pessoa. Ao ler o poema Eros e Psiquê, a memória de lhe pregou uma armadilha: Pessoa já fazia parte dela desde a adolescência quando recebeu de um namorado o mesmo poema de forma impressa: “me maravilhei, mergulhei, me afundei naquelas palavras que começaram a pulsar em mim. Eu comecei a conversar com os poemas e eles começaram a me contar coisas sobre a minha própria vida e sobre o mundo”, revela. Sabrina observa que a poesia é matéria da vida, sua tese e antítese, a experiência do lírico: “seja qual for a linguagem preferida, a poesia precisa e merece uma chance. A poesia é grito necessário, sonho acordado, é vida despida. A percepção que abastece a poesia não deve ser apenas para deleite, deve fazer pensar, refletir, questionar. A poesia serve para que reolhemos à nossa volta, para que reavaliemos o mundo”, explica.

Confira abaixo um poema presente na obra.

Memórias à queima-roupa

cruzei com o rifle abandonado no guarda-roupa
memórias são projéteis
cabem em meias furadas
em roupas não doadas

abandonei as golas
o sufoco me conta uma história de insatisfação
lembra o gargomilo trancado
a adolescência
e aquela dança na sala
sem roupa
livre
enquanto alguém portava o rifle

o olhar apontado para mim
à queima-roupa

Sobre a autora
Sabrina Dalbelo é gaúcha e reside em Bento Gonçalves/RS. Escreve contos e poemas, é colaboradora do blog As Contistas e participa do coletivo Mulherio das Letras. É autora dos livros de poesia Baseado em Pessoas Reais (Poesias Escolhidas, 2017), Lente de aumento para coisas grandes (Penalux, 2018) e Rasga-ossos (Penalux, 2020).

Sobre a ilustradora
Evelyn Postali nasceu em Antônio Prado, cidade serrana no interior do Rio Grande do Sul. É professora de Artes Visuais, escritora, desenhista, ilustradora e aventura-se pela fotografia. Ama música e costuma observar pássaros. Participou de coletâneas de conto e poesias e escreve dentro de diversos gêneros. Tem quatro livros publicados. Gerencia o blog Tudo Que Se Prende No Olhar (link externo). Seus trabalhos artísticos e fotografias podem ser vistos no Instagram e no YouPic.

rasga-ossos
Sabrina Dalbelo, Evelyn Postaly ils.
Poesia
116 p.
14 x 21 cm
R$ 38
Editora Penalux
Compre aqui (link externo)

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