Minha rotina: Carolina Meyer Silvestre

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre foto de acervo pessoal

A redatora publicitária e professora Carolina Meyer Silvestre é uma das autoras campeãs de acesso em nosso site. Autora da antologia de poemas Língua-mãe, livro que desde a divulgação no LRS em março de 2019 coleciona quase 3.200 visualizações, teve seu trabalho alçado para o grande público depois que um poema seu viralizou nas redes sociais em setembro de 2020. O motivo? “Porque fala da época em que estamos vivendo”, disse, por e-mail, na época.

Natural de Porto Alegre e atualmente residindo em Santa Catarina, a autora já participou da série Poemas no Ônibus e no Trem, realizado pela prefeitura da capital gaúcha, integrou algumas coletâneas e eventualmente colabora com revistas virtuais.

A fim de conhecer um pouco mais da autora e de seu trabalho, convidamos Carolina a participar da série Minha rotina para que abra a intimidade do seu processo de escrita e para que inspire outros autores a conquistarem um público através de um trabalho consistente e permanente de divulgação nas redes sociais.

Boa leitura!

Você tem uma rotina para escrita? Você escreve diariamente?
Nenhuma. Minha escrita é indisciplinada. Às vezes, com o computador no colo, disposta a produzir um poema, nada vem. Noutras, estou na correria da cidade e uma imagem acaba se ramificando para versos, até formar uma árvore-poema. Aí, adubo e rego ao chegar em casa. No meio da noite, em períodos insones, alguma ideia pisca. Sempre preciso ter um caderninho ao lado da cama. E sim, desde os nove anos escrevo em diários-agendas-planners (o nome foi se atualizando com o tempo). Não necessariamente poesia. Relato ao papel o que fiz no dia, pensamentos, projetos — e eventualmente surge algo lírico. Se você perguntar o que aconteceu em 15/04/2005, por exemplo, consulto meu “Google pessoal” e sei. Com riqueza de detalhes.

Reprodução/Instagram

Você elabora algum planejamento para a produção dos seus livros?
O método é caótico. Gosto de não ter compromisso com o destino. Escrevo e deixo os textos repousando por certo tempo. Nem todos sobrevivem. Nunca tive pretensão de ser escritora, embora a escrita me dê algum sustento (sou redatora). Além disso, já me rendeu inesperadas alegrias: em dois concursos culturais – desses que pedem respostas criativas — fui contemplada com viagens internacionais. A primeira pra Grécia, em 2007; a segunda pra Inglaterra, em 2013. Ambos os prêmios com generosas regalias como passagens, estadia e curso. Depois disso comecei a considerar se não deveria levar mais a sério o caminho da escrita. Durante a pandemia do coronavírus, nova surpresa: um dos poemas do livro Língua-mãe acabou viralizando nas redes sociais. Isso gerou visibilidade ao meu trabalho poético. Embora não tenha sido inspirado no que estamos passando, o Andávamos tão invernos… tem servido, de certa forma, de alento às pessoas. O que me traz imensa satisfação.

Fotos: Acervo pessoal

O que você faz para distrair-se do trabalho da escrita?
Atualmente, em função do isolamento, estou vivendo no interior de Santa Catarina. Por ser um lugar bucólico (misto de campo e praia), acaba sendo um convite para uma rotina mais saudável: pedalo, caminho, pego sol, brinco com meus gatos, os cinco. Faço jardinagem e como fruta do pé. Ah, participo de um grupo online onde praticamos inglês. A exemplo de Jorge Amado, leio na rede da varanda. Não só literatura, mas sobre Nutrição também, outro de meus interesses. Talvez esse seja o melhor momento dos meus dias: ficar na rede a ler. Tenho uma tendência irresistível à preguiça.

Qual plataforma ou editor de texto você utiliza para escrever? Por quê? E como organiza os arquivos?
Utilizo o Word, o bloco de notas do celular e o velho e bom caderno pautado. Sou old-fashion, fraquinha em matéria de tecnologia. Em meu instagram de poesia, o @linguamae, levo uma lambada de vez em quando tentando postar os textos. Espero que os seguidores relevem os layouts toscos e prestem atenção só no conteúdo.

O que uma escritora precisa para escrever?
Difícil, essa. Quem sou eu pra dar receita? Talvez o caminho seja desenvolver uma sensibilidade que nos faça compreender o mundo de forma mais humana e original. Beber em autores consagrados ajuda, também. Coragem de se expor: sejam suas dores; sejam seus devaneios. No mais, não sei. Também estou curiosa por descobrir.

Quais autores e autoras são os seus preferidos e quais livros vocês recomenda?
Consumo bastante poesia da Língua Portuguesa, por isso minha resposta vai ser parcial. Mario Quintana, Leminski, Drummond, Manoel de Barros, Manuel Bandeira, Adélia Prado, e, nos últimos meses, Mia Couto. (Desculpe aí, Fernando Pessoa, pelo abandono momentâneo!). Recomendo O Tradutor de Chuvas, do Mia. É o que estou devorando agora. Na prosa, indico a polonesa Olga Tokarczuk. Seu romance, Sobre os Ossos dos Mortos, é uma contundente narrativa direcionada a todos os que sentem empatia pelos animais e admiram um humor perspicaz.

Língua-mãe
Carolina Meyer Silvestre
104 p.
R$ 33
Compre aqui (link externo)

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