Memórias do underground

Antonio Padeiro estreia na literatura com coleção de crônicas sobre sua passagem como porteiro do bar Garagem Hermética, em Porto Alegre

Edição: Vitor Diel sobre texto da assessoria
Arte: Giovani Urio sobre reproduç
ão

Antonio Padeiro autografa Barros 386: Crônicas de Garagem no dia 11 de dezembro, às 16h, no Café La Faísca (Rua Venâncio Aires, 1025 – Porto Alegre/RS).

“Quando cheguei naquele bar, tudo parecia mágico: sexo, drogas, cultura e muita música. Existia um senso de liberdade que nunca tinha visto na vida, aquilo era muito envolvente. Uma liberdade que passava despercebida pelos olhos da repressão — talvez por se tratar dos filhos da sociedade, talvez por terem a pele mais clara. O que sei é que foi um grande engano meu achar que a minha presença e a pele parda, cheia de gírias e dialetos periféricos, também fosse passar despercebida…”

A obra reúne as memórias da época em que o autor trabalhou como porteiro no histórico e extinto bar Garagem Hermética, na capital gaúcha. As crônicas conduzem-nos por uma aventura sociocultural aos primórdios da cena underground de Porto Alegre, no início da década de 1990, com seus dramas e promessas de transformações sociais proporcionadas pela então recente redemocratização do Brasil.

Sobre a obra, José Falero escreve na orelha: “Fechado em 2013, após 21 anos de existência, o Garagem jamais encerrou suas atividades na memória dos muitos que o frequentaram e no imaginário dos outros tantos que apenas ouviram falar dele à distância. E, mesmo nesse plano abstrato onde em que o bar ainda funciona a todo o vapor, ele mantém em torno de si a aura controversa que sempre lhe foi característica. É o que percebemos neste Barros 386: Crônicas de Garagem. (…) Antonio Padeiro não nos fala apenas sobre um bar inanimado: ele nos fala sobre as gentes que lhe deram vida.”

Já Luis Augusto Fischer diz na apresentação: “Esse esforço do Padeiro é também um desenho nítido da trajetória dos sonhos de uma geração, de uma classe, de um indivíduo. Uma espécie de confissão — e confissão, desde sempre, é um estilo de texto, oral ou escrito, que deixa o ouvinte/leitor em uma posição nítida: abre aí o teu coração que eu quero saber. E olha, o Padeiro tem um jeito muito distinto, preciso, fino e irônico de lidar com a matéria que aborda, por mais dura e cortante que seja”.

A publicação marca a estreia do autor e da nova editora VamoDale.

Sobre o autor
Antonio Padeiro nasceu em Porto Alegre, (RS) em 1975. É graduado em Letras pela FAPA, documentarista e roteirista. Padeiro é um entusiasta da literatura marginal. Conheceu a arte trabalhando como porteiro do bar Garagem Hermética, um dos berços da cultura underground da cidade. Dentro da arte se aventurou pela música, foi percussionista do grupo Da Guedes. Na televisão apresentou, entre tantos, o programa de humor Mistura Fina, dirigiu e atuou no seriado Poa RS, primeira série de tv produzida no Estado. Participou de peças de teatro, curtas e longas metragens como: O Homem que Copiava, do diretor Jorge Furtado, mas foi na literatura que encontrou sua verdadeira paixão: a escrita.

Barros 386: Crônicas de Garagem
Antonio Padeiro
170 p.
R$ 50
VamoDale Editora
Compre aqui (link externo)

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