Dois poemas inéditos de Pedro Dziedzinski

Autor prepara publicação de livreto para julho

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre divulgação

Matacobra e Outros Golpes Inúteis. Este é o título do livreto de poemas que está em finalização pelo poeta Pedro Dziedzinski. A obra terá distribuição pelo Instagram do autor (@pedrodziedzinski), mediante contribuição espontânea, a partir de julho. Os novos poemas foram escritos desde fevereiro, entre São Paulo e Porto Alegre.

“Em Matacobra, o leitor encontrará histórias de família, anedotas sobre chumbações, asseios da alma pela farmácia. Encontrará, também, amor em cada passagem espirituosa e espiritual. Tudo numa linguagem potente e misticamente urbana de um poeta em seu auge. Um poeta de raios chispando”, escreve Everton Luiz Cidade na orelha.

Confira abaixo dois poemas de Matacobra e Outros Golpes Inúteis:

ao visitar os elefantes

certificar-me primeiro de que não
lhes invado o cemitério, tomo
nota
ninguém perguntou
mas sinto desejo ao dizê-lo
o que morreu está morto & os corvos
alçaram a parte dumba. Estivo meu guia,
lembro-me do sepulcro, marco
hoje quarenta e oito pontos
à luz da memória. Jogo no bicho. A sorte
remenda as entranhas. Te
vi ciente de que ao chacoalhar
os bolsos saberia o montante de tua
apetite. Isto é o suficiente e aguço
para pilhar a mesa; para se soltar
as patas; mudar-me a casa da morte;
vencer nos tentos a morte;
para sugerir truco
a Bergman.

a maioria das trombetas

é dócil eu te dizia
em sonho. nele molhávamos
as canelas n’água e o mar é
quem nos ia entrando, lento, a
velocidade do trânsito
e dos dizeres n’alguma placa de Parelheiros. eu desaparecia
conforme a mentira e portanto continuava ali. tu registrava
os turistas, os irresponsáveis. o picolezeiro usava a
trombeta. as crianças se divertiam com ela e gostaria
também que se divertissem conosco (não podemos competi-la) que gritassem
para que déssemos as mãos (e estão ocupadas, mãos e crianças). penso essa
parte pois gosto dela como gostaria de um minirádio a beira da praia resvalando cantigas de ninar, mas desta vez temos
trombetas. não vejo a cor da bandeira
acima dos salva-vidas
e podes escolhe-la assim que souberes disto (do sonho, faz
parte desejar que desejes, por isso vou
tomando notas e taquicardias). agora um raio põe
fogo em mim. os praianos são impassíveis. a água
na minha cintura enfesta o sexo, estou sozinho, os pais ordenam as crianças que guardem seus
brinquedos, é inútil. recordo meu esquecimento para as geometrias
na areia da praia, um dia
ao esvaziar a sacola não encontrava o triângulo, noutro
a estrela. e outra criança bonita, a tarde ou na manhã seguinte, brincava
comigo
a distância. a verdade é que
se eu fosse você sentindo o que sinto a folha
de São Paulo já teria me matado mas
vivo em Porto Alegre. a verdade é o
que me costura a vontade movediça. esparramam-se os guardassóis
de plástico e concreto. correm lá e cá os transeuntes. a memória
fura o visto do impossível. minha bisavó falecida planta
uma bananeira submersa ao sudeste. tu cuida os degraus de minha
escadaria. beijamos (as crianças caçoam). vestem-me com a canga
dos apaixonados. um grito na chuva assemelha teu nome. granizo
a emparelhar tuas sílabas & soa a última
trombeta.

Sobre o autor
Pedro Dziedzinski é natural de Barra do Ribeiro, Rio Grande do Sul. Publicou em 2017 o livro Frêmito-genitália pela editora Le Chien, Pealo, em 2019, pelo selo Ornitorrinco Edições, e Contrato do Esquecimento (ou Te amo, e é como se treinasse para Faquir) em 2021. Atualmente reside em Porto Alegre.

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