Nosso corpo estranho

Reginaldo Pujol Filho explora, de forma inventiva, o mundo da arte em romance pela Editora Fósforo

Edição: Vitor Diel com texto da assessoria
Arte: Giovani Urio sobre reprodução

O escritor, professor e tradutor Reginaldo Pujol Filho está lançando seu mais novo livro, Nosso corpo estranho. Um projeto inusitado tanto em sua forma, quanto na história que narra, confirmando as palavras da escritora e curadora Veronica Stigger, “Reginaldo Pujol Filho é um dos mais imaginativos escritores da literatura contemporânea brasileira”.

O protagonista deste romance nasceu em 1960 em Porto Alegre, mudou-se para o Rio de Janeiro e depois para Nova York, onde iniciou a carreira artística. Teve contato com ícones da pop art, como Andy Warhol, e esbaldou-se na cena noturna da badalada Big Apple. Como tantos outros de sua geração, viu paixões se transformarem pelo medo do HIV. Contemporâneo de Basquiat, realizou performances, colagens, instalações e pinturas, vivendo tendências como grafitti e body art. Apesar de ser agora comparado a grandes nomes como Leonilson, Banksy, Cildo Meireles e Marina Abramović, João Pedro Bennetti Bier foi ignorado pela crítica e pelo circuito de galerias do país natal, o que torna o registro de sua exposição retrospectiva um ato de reparação.

Por meio da paródia, recurso literário que Reginaldo Pujol renova a cada novo livro, temos em Nosso corpo estranho acesso aos textos de parede da mostra, e é como se caminhássemos por entre as obras. Mas quais delas? Sem imagens que lhes dê materialidade, somos convidados a exercitar a imaginação, deixar nos levar pelas palavras de Reginaldo Pujol Filho que, ao assumir a curadoria, transforma-se em personagem de sua invenção.

O curador-escritor se apropria da gramática da crítica de arte, distinguindo três fases de João Pedro, ou “nosso JayPee” — visceral, crítica e trágica. Com humor, sarcasmo e muito domínio da linguagem, Pujol Filho descreve o arco da inocência à desilusão, a descoberta e a intoxicação com as engrenagens do meio artístico pelo qual passou o artista. E, como leitores, passamos pelo mesmo processo ao recebermos as pistas de que tudo não passa de engodo. Para além da relação com o mundo da arte, esta narrativa também trágica nos leva a pensar nos limites da ficção e em seus mecanismos. Do que é capaz a linguagem? O que é apenas verossímil e, mais profundo, o que é a realidade?

A obra, editada pela editora Fósforo, terá evento de lançamento com sessão de autógrafos no sábado, dia 19 de outubro, a partir das 15h, na livraria Clareira (Rua Henrique Dias, 111), no Bairro Bom Fim, em Porto Alegre.

Sobre o autor
Reginaldo Pujol Filho é escritor, professor, doutor em letras e escrita criativa pela PUCRS e tradutor. É autor dos livros Não, não é bem isso (Não Editora, 2019) e Só faltou o título (Record, 2015), e curador da coleção Gira de literaturas em língua portuguesa da Dublinense.

Nosso corpo estranho
Reginaldo Pujol Filho
120 p.
R$ 69,90
Fósforo
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