Minha rotina: Adri A.

Edição: Vitor Diel
Arte: Giovani Urio sobre foto de divulgação

“Um quadrinista precisa, acima de tudo, amar quadrinhos e querer muito transmitir sua mensagem através dos quadrinhos, independente da fama, likes e grana que isso vá – ou não – render”. É com essa perspectiva profissional e realista que Adri A. trabalha na campanha pelo realização do segundo volume da série Cara-Unicórnio. Ilustrador e quadrinista, Adri sempre esteve preocupado com representatividade LGBTQIA+ nos quadrinhos – por isso criou uma sátira que utiliza os elementos mais comuns das histórias de super-heróis e aponta para essa realidade. Como resultado desse esforço, em 2019, a primeira coletânea da série, Cara-Unicórnio – Vol. 1, concorreu ao Troféu HQ Mix na categoria humor.

Adri A. é o convidado desta semana para falar sobre sua rotina de escrita e desenho. Confira abaixo!

Você tem uma rotina de produção? Você escreve e desenha diariamente?
O meu processo de criação se divide em duas etapas: uma mais prática, onde eu desenho as páginas das HQs no papel; e outra etapa mais digital, onde eu faço o tratamento digital das páginas desenhadas, a colorização e a letreirização. Então, quando eu estou na etapa de produção mais prática, eu desenho diariamente, principalmente pela manhã, que é o momento do dia em que eu executo essa função com mais disposição e facilidade. O ato de escrever tem se dado quando eu preparo o “roteiro” de uma nova HQ, que consiste em um esboço rudimentar de todas as páginas da história, contendo o texto das falas dos personagens e algumas descrições de cenas.

Você elabora algum planejamento para a produção dos livros do Cara-Unicórnio?
Como eu sou o criador, autor, ilustrador e editor das HQs do Cara-Unicórnio, e também sou um cara meio desorganizado, a maioria do meu planejamento é mental e guardo tudo na minha cabeça. Eu tenho uma noção de que quando eu começo a desenhar uma nova HQ, eu vou passar em média dois meses no processo de fazer os desenhos a lápis e depois arte-finalizá-los com nanquim, e mais uns dois meses executando a etapa digital do trabalho.

Fotos: Adri A.

O que você faz para distrair-se do trabalho nos quadrinhos?
Leio, gosto de alternar a leitura de livros de literatura com publicações de quadrinhos. Vejo filmes, a maioria de terror. Faço rabiscos aleatórios, preenchendo folhas com traços rebuscados e esboços de personagens para possíveis histórias futuras. Também gosto de correr, é uma coisa que me ajuda a pensar e desanuviar a cabeça, mas por causa da pandemia eu diminuí bastante a frequência das corridas, o que é uma pena.

Qual plataforma ou editor de texto você utiliza para escrever e desenhar? Por quê? E como organiza os arquivos?
Para escrever, eu ando usando o editor de texto do Google, mais por conveniência e por não querer pagar um pacote inteiro de programas para usar apenas o Word. Para editar, colorir e letreirizar as páginas das HQs eu uso o Photoshop. E organizo os arquivos da seguinte forma: crio uma pasta para cada HQ, onde ficarão dentro desta outras subpastas, uma contendo os scans das páginas, outra subpasta para as páginas já editadas e coloridas, e mais uma subpasta para as páginas contendo o texto. Outros arquivos ficam fora dessas subpastas: como o arquivo de Photoshop da edição das páginas e da capa, e algumas imagens que acabo criando para mostrar o processo de produção e fazer a divulgação da HQ nas redes sociais.

O que um quadrinista precisa para produzir?
Precisa de algo que risque, papel e, principalmente, desejo. Como eu sou um cara à moda antiga, eu não dispenso uma lapiseira 0.5, borrachas e canetas nanquim de diferentes numerações. Um quadrinista também precisa se nutrir de diferentes fontes de informação, de literatura, de cultura, de trabalhos de outros artistas… E paralelo a esse processo o quadrinista precisa abstrair de tudo do que se nutriu para criar algo próprio, com identidade e linguagem singulares. E, voltando ao desejo: mesmo que se tenha as ferramentas tecnológicas mais avançadas disponíveis, se não houver desejo não se faz quadrinho nenhum. Um quadrinista precisa, acima de tudo, amar quadrinhos e querer muito transmitir sua mensagem através dos quadrinhos, independente da fama, likes e grana que isso vá – ou não – render.

O que você está produzindo no momento?
No momento, estou produzindo a HQ capítulo 08 do Cara-Unicórnio. Esta é uma das histórias inéditas que vai integrar o novo livro Cara-Unicórnio – Vol. 2, que se encontra em financiamento coletivo captando apoios para poder ser impresso.

Apoie Literatura RS

Ao apoiar mensalmente Literatura RS, você tem acesso a recompensas exclusivas e contribui com a cadeia produtiva do livro no Rio Grande do Sul.

Literatura RS

Uma resposta para “Minha rotina: Adri A.

  1. Que legal!!! Gostei muito da perspectiva colorida. Eu criei um personagem chamado PÉ GRANDE LGBT, ele é o representante mundial das florestas de todos os mundos, na história da Sacerdotisa das Árvores.
    Ele tem quatro dedos nos pés e pinta as unhas de vermelho. Ele tem mustache.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s